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Vanderson Santana André, de 35 anos, mostrou nas redes sociais os trabalhos de ampliação da própria distribuidora pouco antes do deslizamento que também atingiu três pedreiros da mesma família.
Um empresário e três trabalhadores da construção civil perderam a vida após serem soterrados pelo desabamento de um barranco durante uma obra no bairro Nova Rosa da Penha II, em Cariacica, no Espírito Santo.
O acidente aconteceu na tarde de sexta-feira, 31 de julho de 2026, durante a ampliação de uma distribuidora de bebidas.
As vítimas foram identificadas como:
- Vanderson Santana André, de 35 anos, proprietário da distribuidora;
- Ronival Moreira de Jesus, de 45 anos;
- Ruan Moreira da Luz, filho de Ronival;
- Valdomiro Moreira de Jesus, conhecido como “Biro”, tio de Ronival.
Os três pedreiros eram da mesma família e trabalhavam juntos no local quando a barreira de terra cedeu.
Empresário mostrou a obra antes do acidente
Horas antes do desabamento, Vanderson publicou vídeos nas redes sociais mostrando o andamento da escavação e conversando com os trabalhadores.
As imagens mostram o empresário animado com os planos de expansão do estabelecimento.
Pouco tempo depois, parte do barranco desabou e atingiu os quatro homens que estavam na área da obra.
Vanderson era proprietário da distribuidora havia aproximadamente 15 anos e acumulava mais de 150 mil seguidores nas redes sociais, onde compartilhava a rotina da empresa, promoções e projetos de crescimento do negócio.
Ele deixa esposa e um filho pequeno.
Pai, filho e tio trabalhavam juntos
Ronival Moreira de Jesus era morador antigo de Nova Rosa da Penha II.
Antes de atuar na construção civil, ele trabalhou durante vários anos como taxista. Ronival era casado e pai de dois filhos.
O filho dele, Ruan Moreira da Luz, havia deixado outro emprego para trabalhar ao lado do pai.
Ruan era casado e deixa três filhos pequenos: duas crianças, de 4 e 3 anos, e um bebê de apenas 7 meses.
Valdomiro Moreira de Jesus, conhecido como “Biro”, era tio de Ronival e também trabalhava como pedreiro.
Ele deixa uma filha e um neto.
A perda de três integrantes da mesma família provocou forte comoção entre moradores, parentes e amigos do bairro.
Bombeiros trabalharam durante horas
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e iniciaram uma operação para localizar e retirar as vítimas debaixo da grande quantidade de terra.
Máquinas e equipamentos precisaram ser utilizados durante o trabalho de resgate.
A área permaneceu isolada devido ao risco de novos deslizamentos.
Apesar dos esforços das equipes, os quatro homens não resistiram.
Crea aponta corte irregular no barranco
Uma vistoria realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo apontou uma série de irregularidades na obra.
Segundo o Crea-ES, a escavação foi realizada com um corte praticamente vertical no barranco, sem a inclinação e as estruturas de proteção exigidas pelas normas técnicas.
A fiscalização também identificou que a obra era executada sem acompanhamento de engenheiro ou outro responsável técnico habilitado.
O órgão classificou o acidente como resultado de uma sequência de falhas e possível negligência na execução dos serviços.
Obra estava embargada
A Prefeitura de Cariacica informou que a intervenção no terreno havia sido embargada cerca de um ano antes.
Segundo a administração municipal, os trabalhos teriam sido retomados irregularmente poucos dias antes do desabamento.
A fiscalização deverá apurar quem autorizou a retomada, quem era responsável pela execução e se havia algum projeto técnico para a escavação.
Imóveis foram interditados
Depois do acidente, a Defesa Civil interditou a distribuidora, um galpão vizinho e uma residência localizada na parte superior do barranco.
Moradores precisaram deixar os imóveis por causa do risco de novos deslizamentos.
A área permanecerá isolada até que estudos técnicos confirmem a estabilidade do terreno e indiquem quais medidas de contenção deverão ser adotadas.
Polícia investiga responsabilidades
O caso passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Acidentes de Trabalho.
A Polícia Civil deverá analisar os vídeos publicados pelo empresário, ouvir familiares, testemunhas, funcionários e representantes dos órgãos responsáveis pela fiscalização.
A investigação busca esclarecer se houve descumprimento do embargo, ausência de equipamentos de segurança, falhas na escavação e eventual responsabilidade criminal pelo acidente.
Os laudos da perícia e do Crea-ES serão fundamentais para reconstruir a dinâmica completa do desabamento.
VEJA O VÍDEO:
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