No dia que entra em vigor o novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu exportar carros brasileiros para a América Latina e para o continente africano.
A fala ocorreu nesta quarta-feira (22), no Palácio do Planalto, durante audiência com o CEO e diretor executivo da Stellantis, Antonio Filosa. A Stellantis reúne 14 marcas de veículos incluindo nomes como Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot e Ram.
“Eu queria que você me explicasse para quem que vocês estão exportando quatro milhões de carros, porque uma coisa que nós vamos ter que trabalhar juntos com vocês agora, nesse próximo período, é como aumentar a capacidade de exportação dos carros brasileiros para a América Latina e para o continente africano”, afirmou Lula a Filosa.
De acordo com Lula, América Latina e África são dois mercados “muito importantes” e “promissores”.
“Nós estamos dispostos a trabalhar junto com vocês para saber quais as dificuldades e o que a gente pode contribuir para que vocês possam voltar a vender mais carros”, afirmou o petista.
Tarifaço
Entra em vigor, a partir das 01h01 de Brasília desta quarta-feira (22), o novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.
A medida havia sido oficializada na virada de quinta (16) para sexta-feira (17) passada em documento publicado pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
A nova tarifa de 25% incide sobre uma cesta de produtos brasileiros e é resultado de uma investigação que o órgão que vinha desenvolvendo desde que Trump anunciou o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.
Já no começo de junho deste ano, o Representante Comercial dos Estados Unidos propôs a imposição da alíquota 25% sobre as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – instrumento de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
Mesmo após uma série de audiências públicas em que a sociedade civil se expressou contra o tarifaço, o USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
Enquanto, de um lado, funcionários do governo dos Estados Unidos reclamaram do engajamento do Brasil nas negociações sobre o tarifaço; do outro, negociadores brasileiros apontaram a demanda norte-americana como “muito ruim e desvantajosa” para a indústria e a agricultura brasileiras. Além disso, relatou-se que as negociações chegaram a travar por falta de clareza dos EUA sobre pedidos específicos ao Brasil.
Em resposta ao tarifaço, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável” na relação entre os dois países.
Na ocasião, o Planalto também havia anunciado que usaria instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade contra as novas cobranças impostas por Washington.











