Vídeos obtidos pela CNN Brasil mostram os ataques feitos por criminosos à caminhões de cargas de medicamentos de alto valor utilizados no tratamento contra câncer. Os roubos eram esquematizados e apoiados pelo TCP (Terceiro Comando Puro), sendo realizados, principalmente, em rodovias do estado do Rio de Janeiro.
Nessa terça-feira (21), a Polícia Civil do RJ deflagrou a Operação Metástase e prendeu cinco pessoas ligadas ao grupo. Segundo as investigações, o esquema da facção criminosa de ataques, roubos e revendas movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano.
O modos operandi dos suspeitos costumava ser o mesmo: fortemente armados, eles cercavam os motoristas dos caminhões e, logo depois, realizavam ameaças até o condutor abrir o depósito final do veículo, ou até mesmo abandoná-lo.
Por muitas vezes, chegavam a trocar as cargas do caminhão verdadeiro para um “caminhão falso” ligado ao esquema.
Assista:
As investigações identificaram pelo menos 20 crimes semelhantes nos últimos seis meses, entre 2025 e 2026, com o uso de empresas de fachada. Câmeras de segurança de diversas rodovias registraram a sequência desses ataques.
A CNN Brasil também teve acesso a vídeos de um outro roubo cometido em 31 de janeiro. Nas imagens é possível ver os criminosos em dois veículos perseguindo um caminhão em uma longa rodovia. Em seguida, um homem que dirige uma motocicleta faz um sinal do “ataque” para um dos bandidos que está dentro de um carro branco.
Logo depois, os criminosos bloqueiam a via e cercam o condutor da carga. Após o sequestro da mercadoria, o veículo é parado em uma comunidade. Minutos depois, os criminosos descem dos carros com fuzis e levam todos os medicamentos.
Como funcionava o esquema?
Após os roubos os medicamentos eram levados para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde ocorria o transbordo e a redistribuição da carga.
Para esconder a origem dos produtos e enviá-los aos receptadores finais em diversos estados do país, os integrantes usavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e “laranjas”. As equipes também identificaram membros do grupo responsáveis por aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.
Segundo as investigações, o material roubado também chegava a ser reinserido em instituições públicas de saúde de todo o país por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.
Foram identificados diversos setores do esquema. Cada um deles era responsável por uma etapa da operação: o núcleo dos roubadores; o núcleo logístico-financeiro intermediário; o núcleo logístico-financeiro final; e o núcleo de suporte territorial.
A facção era responsável pelo suporte territorial, ao fornecer armas e proteção ao núcleo de roubadores. Em seguida, um segundo núcleo cuidava do armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos roubados.











