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Abrapa vê avanço em MP de dívidas rurais, mas cobra novas medidas


A  Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) avaliou como um avanço a Medida Provisória nº 1.376/2026, publicada pelo governo federal para ampliar as alternativas de renegociação das dívidas rurais. Para a entidade, a iniciativa cria condições para aliviar a situação financeira dos produtores, mas não resolve de forma definitiva os problemas de endividamento do setor.

Na avaliação da associação, a medida chega em um momento considerado estratégico, durante o planejamento da safra 2026/27, após anos marcados por perdas provocadas por eventos climáticos extremos, aumento dos custos de produção, elevação das taxas de juros e queda da rentabilidade da atividade agropecuária.

Entre os principais pontos da MP destacados pela Abrapa estão a ampliação dos prazos para renegociação das operações de crédito, a possibilidade de concessão de carência sem exigência de pagamento de entrada, a revisão das garantias dos financiamentos e a criação de instrumentos para fortalecer a gestão de risco do crédito rural, incluindo a futura participação da União em um fundo garantidor para o setor.

A entidade também reconheceu o trabalho conjunto do governo federal, da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) e das organizações representativas do agronegócio na construção da proposta.

Apesar da avaliação positiva, a Abrapa afirma que a recuperação financeira dos produtores dependerá de novas políticas estruturantes voltadas ao crédito rural. Segundo a associação, a recomposição da renda do setor tende a ocorrer de forma gradual e continuará condicionada a fatores como clima, preços internacionais das commodities, custos de produção e oferta de financiamento.

Outro ponto ressaltado pela entidade é que a efetividade da medida dependerá da regulamentação da MP e da implementação das novas regras pelas instituições financeiras responsáveis pela operacionalização do programa.

Em nota, o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, afirmou que a medida representa um reconhecimento da necessidade de criar mecanismos para a reestruturação das dívidas rurais, mas destacou que a prioridade agora é garantir uma regulamentação que assegure acesso efetivo dos produtores aos instrumentos previstos e preserve a capacidade produtiva no campo.

A associação informou ainda que acompanhará a tramitação da Medida Provisória no Congresso Nacional e participará das discussões sobre sua regulamentação, mantendo diálogo com os poderes Executivo e Legislativo para aperfeiçoar os mecanismos de renegociação das dívidas rurais.



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