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Agência de Energia Atômica diz que inspeções no Irã prosseguirão


O órgão de fiscalização nuclear da ONU realizará inspeções no Irã em breve, após um acordo de paz provisório entre os Estados Unidos e o país, mas os detalhes operacionais ainda não foram finalizados, afirmou o chefe da agência, Rafael Grossi, nesta quarta-feira (24).

As duas partes assinaram, na semana passada, um memorando de entendimento de 14 pontos estabelecendo acordos gerais de princípio para encerrar a guerra.

O acordo provisório abriu caminho para 60 dias de negociações destinadas a definir os detalhes mais complexos, incluindo questões relacionadas ao programa nuclear do Irã.

“As inspeções de fato ocorrerão”, disse Grossi, chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), em uma coletiva de imprensa no Japão — cuja gravação de áudio foi disponibilizada online pela agência.

“Trabalharemos nas modalidades — datas, procedimentos, locais — muito em breve”, afirmou ele sobre as discussões com Teerã.

O Irã não permitiu que a AIEA, que fiscaliza seu programa nuclear, retornasse às suas instalações nucleares mais sensíveis desde que os Estados Unidos e Israel as bombardearam em junho do ano passado.

A agência inspecionou outros locais, mas as inspeções foram suspensas após o início da guerra em 28 de fevereiro.

URÂNIO ALTAMENTE ENRIQUECIDO É PONTO-CHAVE NAS NEGOCIAÇÕES

Urânio altamente enriquecido é ponto-chave nas negociações

Uma questão central nas negociações é o destino do urânio altamente enriquecido do Irã, incluindo material enriquecido com pureza de até 60% — um passo curto em relação aos cerca de 90% necessários para grau de armamento.

“O parágrafo 8 deste memorando de entendimento estabelece explicitamente — em negrito — que as atividades nucleares a serem realizadas com materiais e instalações nucleares serão supervisionadas pela AIEA”, afirmou Grossi.

“Obviamente, para fazer isso, teremos que realizar inspeções. Se isso ocorrer depois de amanhã, em uma semana ou em dez dias, é algo importante, mas não essencial. Portanto, isso vai acontecer. Claro, se eles (o Irã) quiserem cumprir o acordo. Se não quiserem, aí já é outra história.”

O Irã não informou à AIEA quanto de seu urânio enriquecido sobreviveu aos ataques nem onde ele se encontra. A agência estima que Teerã possuía 440,9 kg de urânio enriquecido em até 60% antes de Israel lançar o primeiro ataque, em 13 de junho do ano passado.

Se fosse ainda mais enriquecido, esse montante seria suficiente para produzir dez armas nucleares, segundo os critérios da AIEA.

Grossi afirmou que a agência acredita que o Irã mantém mais de 200 kg desse material armazenados em um complexo de túneis em Isfahan, no centro do país; o local foi alvo de ataque, mas, ao que parece, não sofreu danos graves.



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