Vovô de Olho
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2026-06-22T21:55:41Z
2026-06-22T17:55:41
A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (22) um homem de 35 anos suspeito de matar a mulher trans Betina Barros, de 33 anos, em Nova Mutum. Os policiais localizaram o investigado em um canteiro de obras na zona rural do município e cumpriram o mandado de prisão temporária. Além disso, as equipes executaram um mandado de busca e apreensão na residência onde ele morava. A Justiça também autorizou a coleta de material genético para reforçar a produção de provas.
Betina desapareceu após aceitar um programa sexual contratado por meio de uma plataforma digital na noite de 1º de dezembro de 2025. Desde então, familiares perderam contato com a vítima. Por isso, a irmã registrou um boletim de ocorrência na manhã de 3 de dezembro e comunicou o desaparecimento da mulher e de sua motocicleta Honda Biz branca.
No mesmo dia, a Polícia Civil iniciou as buscas e encontrou o corpo de Betina cerca de nove horas após o registro da ocorrência. Os investigadores localizaram a vítima em uma região próxima a uma faculdade de Nova Mutum. Em seguida, a perícia identificou traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo como causa da morte.
Polícia descarta roubo e concentra investigação no homicídio
Os policiais encontraram a motocicleta da vítima em uma estrada vicinal próxima ao local onde o corpo estava. Dentro do bagageiro, a equipe localizou documentos, cartões bancários e dinheiro. No entanto, alguém levou apenas o celular de Betina.
Diante desse cenário, os investigadores descartaram rapidamente a hipótese de latrocínio. Segundo a Polícia Civil, o criminoso atraiu a vítima para um local isolado utilizando um encontro previamente combinado por meio de plataformas digitais. Além disso, a análise da cena do crime reforçou a suspeita de que o autor planejou a ação.
Os investigadores concluíram que o crime não teve características compatíveis com roubo seguido de morte. Por isso, a equipe concentrou os esforços na identificação da pessoa que marcou o encontro com a vítima.
Testemunhas ajudaram a identificar o suspeito
Durante a investigação, a Derf de Nova Mutum localizou duas mulheres trans que receberam mensagens do mesmo número utilizado para contratar Betina. As testemunhas relataram que o homem demonstrava urgência e insistia para que os encontros acontecessem em locais afastados.
As duas mulheres recusaram os programas por medo. Além disso, elas informaram que os locais sugeridos coincidiam com a região onde os policiais encontraram o corpo da vítima. A partir dessas informações, a Polícia Civil identificou o nome vinculado ao telefone utilizado nos contatos.
Inicialmente, o suspeito alegou que já não utilizava aquele número. Como a linha estava desativada, os policiais o liberaram após o depoimento. Contudo, as investigações continuaram.
Atitudes após o crime reforçaram suspeitas
Quando os investigadores tentaram intimá-lo novamente, o suspeito fugiu pelos fundos da residência. Em seguida, os policiais entraram no imóvel e apreenderam um celular e uma caixa vazia de munição que pode ter relação com a arma utilizada no homicídio.
Além disso, câmeras de segurança registraram o homem lavando repetidamente os pneus de sua motocicleta durante a madrugada seguinte ao crime. Segundo a investigação, ele pode ter tentado eliminar vestígios de terra e vegetação da cena do assassinato.
Os policiais também descobriram que, dois dias após o homicídio, o suspeito procurou uma empresa e solicitou a formatação completa do celular. Conforme a investigação, ele pediu que o aparelho ficasse “limpo e sem nada”, o que pode indicar tentativa de apagar provas digitais.
Perfil na internet ligou suspeito à vítima
A Polícia Civil identificou ainda um perfil ligado ao investigado na mesma plataforma utilizada para contratar programas sexuais. O cadastro estava direcionado especificamente para a categoria de mulheres trans.
Segundo os investigadores, o suspeito utilizou esse perfil para entrar em contato com Betina e também com as outras duas mulheres localizadas durante as diligências. Depois do crime, ele tentou excluir a conta da plataforma.
Com base nas provas reunidas, o delegado Jean Paulo Ferreira solicitou os mandados judiciais, que a Justiça autorizou. A Polícia Civil cumpriu as ordens nesta segunda-feira e segue investigando o caso para esclarecer a motivação do crime.











