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Novo robô permite que fisioterapeuta ‘empreste’ seus movimentos a pacientes após AVC




Exoesqueleto ajuda pacientes com AVC a recuperarem seus movimentos
Laboratório de Habilidades Shirley Ryan
Recuperar a capacidade de andar é um dos principais objetivos da reabilitação após um acidente vascular cerebral (AVC). Agora, cientistas desenvolveram um sistema robótico que permite ao fisioterapeuta “emprestar” seus próprios movimentos ao paciente durante a terapia, criando uma espécie de caminhada compartilhada entre os dois.
🤖 A tecnologia foi publicada nesta quarta-feira (18) na revista científica Science Robotics e utiliza exoesqueletos —robôs vestíveis acoplados às pernas— usados simultaneamente pelo terapeuta e pelo paciente.
Em testes com pessoas que haviam sofrido AVC, o método levou a passos mais longos, maior amplitude de movimento e melhor elevação das pernas durante a caminhada quando comparado à fisioterapia convencional.
Os pesquisadores afirmam que a proposta busca combinar duas vantagens que normalmente aparecem separadas nos programas de reabilitação: a precisão dos robôs e a capacidade do fisioterapeuta de adaptar o tratamento em tempo real às necessidades de cada pessoa.
Agora no g1
Como funciona a tecnologia
O sistema recebeu o nome de TEPI, sigla em inglês para “interação terapeuta-exoesqueleto-paciente”.
Durante a sessão, tanto o paciente quanto o fisioterapeuta vestem exoesqueletos nos membros inferiores. Os dois equipamentos são conectados virtualmente por um software que cria uma ligação mecânica entre os movimentos dos joelhos e quadris de cada usuário.
🦿 Quando o terapeuta movimenta a perna, o sistema transmite forças que ajudam a orientar o movimento correspondente no paciente. Ao mesmo tempo, o profissional recebe um retorno tátil e consegue sentir como a pessoa está caminhando, identificando limitações e ajustando a assistência durante a sessão.
🧑‍⚕️ Diferentemente de muitos exoesqueletos usados atualmente, que seguem trajetórias previamente programadas, o novo modelo permite que a condução do movimento seja feita pelo próprio fisioterapeuta, em tempo real.
O que o estudo mostrou
O trabalho envolveu oito pessoas com sequelas crônicas de AVC.
Cada participante realizou dois tipos de treinamento em dias diferentes: uma sessão usando o sistema robótico e outra com fisioterapia convencional, em que o terapeuta fazia correções manuais durante a caminhada em uma esteira. Cada sessão teve 30 minutos de duração.
Ao comparar os dois métodos, os pesquisadores observaram ganhos consistentes com o novo sistema.
🚶‍♀️‍➡️🚶‍♂️‍➡️ A área total percorrida pelo tornozelo durante a caminhada —um indicador da amplitude dos movimentos— foi significativamente maior com o uso dos exoesqueletos. Os participantes também deram passos mais longos e elevaram mais os pés durante a fase de balanço da marcha.
Segundo os autores, esses resultados sugerem que os pacientes conseguiram reproduzir de forma mais próxima os padrões de movimento demonstrados pelo fisioterapeuta.
O robô não faz o trabalho sozinho
Uma das preocupações em terapias robóticas é que o equipamento acabe realizando grande parte do esforço, reduzindo a participação ativa do paciente.
As análises do estudo indicam que isso não aconteceu.
Mesmo quando recebiam assistência mecânica durante determinados momentos da caminhada, os participantes continuavam produzindo uma parcela importante da força necessária para movimentar as pernas. Em algumas fases da marcha, mais da metade do esforço total vinha do próprio paciente.
Os pesquisadores também registraram níveis de ativação muscular semelhantes ou superiores aos observados durante a terapia convencional, sugerindo que os participantes permaneceram engajados na tarefa.
Além disso, os pacientes relataram níveis elevados de satisfação e motivação durante o treinamento, sem aumento importante da sensação de esforço ou desconforto.
O que ainda falta saber
Os autores ressaltam que os resultados refletem apenas os efeitos observados durante as sessões de treinamento.
O estudo não foi desenhado para responder se a tecnologia acelera a recuperação funcional a longo prazo ou se os ganhos persistem após o término da terapia. Essas questões deverão ser avaliadas em pesquisas maiores e com acompanhamento prolongado.
Também há desafios para que a tecnologia chegue à rotina dos centros de reabilitação. O sistema exige dois exoesqueletos, equipamentos caros e profissionais treinados para utilizá-los, fatores que ainda limitam sua adoção em larga escala.
Ainda assim, os pesquisadores acreditam que a abordagem abre uma nova possibilidade para a reabilitação após o AVC: usar a tecnologia não para substituir o fisioterapeuta, mas para ampliar sua capacidade de orientar o movimento e interagir com o paciente durante o processo de recuperação.



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