O acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã entrou em vigor após a assinatura dos dois países. Ainda assim, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reafirmou o alerta do presidente americano, Donald Trump, de que ataques militares poderão ser retomados caso Teerã não cumpra as obrigações estabelecidas no pacto.
De acordo com a avaliação do correspondente e analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, o entendimento enfrenta três dificuldades cruciais que colocam em risco sua durabilidade e efetividade.
Desconfiança mútua e questão nuclear
O primeiro obstáculo apontado é a ausência de confiança entre as partes. “Americanos e iranianos simplesmente não confiam um nos outros”, destacou Américo Martins. Por isso, o acordo precisou ser genérico o suficiente para permitir a assinatura dos dois lados, sendo necessário construir um mínimo de confiança para que cada parte acredite que a outra cumprirá sua parte na negociação.
O segundo ponto crítico é a questão nuclear iraniana, que foi o fator que originou o conflito. Ainda não está definido o que ocorrerá com todo o urânio enriquecido que permanece em posse do Irã. Essa decisão deverá ser tomada ao longo das negociações previstas para os próximos 60 dias.
Líbano e a pressão sobre Israel
O terceiro desafio envolve o Líbano. O Irã insiste, e o acordo prevê, que a paz também deve prevalecer no país, entre o Hezbollah e as forças de defesa de Israel. No entanto, o governo israelense critica fortemente o pacto, argumentando que questões cruciais de segurança nacional de Israel não foram levadas em consideração. Conter Israel para que o conflito no Líbano não se expanda é apontado como um dos maiores testes do acordo.
Em meio a esse cenário, as forças de defesa de Israel informaram que um militar do país foi morto em combate no sul do Líbano, mesmo após a assinatura do cessar-fogo. O oficial foi identificado como um sargento-mestre de 29 anos.
Outros sete soldados ficaram feridos e foram encaminhados a hospitais para tratamento. Israel realiza ataques no país mirando alvos do Hezbollah, grupo apoiado por Teerã. Mais de 3.700 pessoas morreram no Líbano desde o início do conflito no Oriente Médio, e outras 11 mil ficaram feridas.
Negociações em Genebra e impacto no petróleo
Diante da fragilidade desses pontos, as autoridades suíças estão pressionando para que as negociações dos próximos 60 dias comecem imediatamente. Os líderes da Suíça propõem que as tratativas se iniciem já nesta sexta-feira (19), no país neutro localizado no centro da Europa.
Os novos desdobramentos do conflito impactaram diretamente o mercado de petróleo. O barril Brent, referência global, registrou queda superior a 3%, sendo negociado a US$ 77. Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, recuou quase 4%, chegando a US$ 74 por barril.
O otimismo do mercado é impulsionado pela possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, um dos principais canais de exportação de petróleo, com a expectativa de redução das tensões na região.











