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Guerra com Irã foi desnecessária para interesses dos EUA, diz especialista


A guerra contra o Irã foi absolutamente desnecessária do ponto de vista dos interesses norte-americanos. Essa é a avaliação de Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da UFRJ, em entrevista ao Hora H desta segunda-feira (15), comparando o acordo de 2026 com o assinado por Obama em 2015.

“Os Estados Unidos vão ter que pagar mais do que esperavam, perdem poder e prestígio na região e demonstram que o Irã tem a capacidade de resistir a um ataque combinado entre forças israelenses e norte-americanas”, afirmou o professor.

Além das consequências estratégicas, Brancoli destacou efeitos do conflito sobre a população civil e a economia global. “O cálculo humano, ou seja, a quantidade de civis mortos, e os impactos também secundários, mas importantes, Vai ter aumento de preço de alimento, por exemplo”, disse.

Brancoli lembrou que parte importante dos fertilizantes do mundo passa pelo Estreito de Ormuz, cuja movimentação foi comprometida durante o conflito, o que deve gerar problemas na produção de alimentos nos próximos meses.

No âmbito doméstico dos Estados Unidos, as pesquisas de opinião mostram um cenário desfavorável. Segundo Brancoli, mais de 80% da população americana é contra a guerra. Essa rejeição, de acordo com o professor, não se dá necessariamente por razões morais, mas pelo impacto direto no bolso do cidadão.

“O preço do combustível aumentou, o preço dos alimentos está aumentando”, apontou. Nesse contexto, Trump vem tentando apresentar o acordo provisório como uma vitória, investindo tempo na imprensa e nas redes sociais para defender que se trata do melhor resultado possível.

Pontos em aberto

Apesar dos esforços de comunicação, Brancoli ressaltou que o acordo ainda apresenta questões não resolvidas. Uma delas diz respeito ao Estreito de Ormuz. Enquanto os Estados Unidos afirmam que não haverá cobrança de pedágio para os navios que passam pela via, o Irã defende que haverá uma “taxa de logística”, o que, na prática, se assemelha a um pedágio.

Também permanecem indefinidas as questões sobre o Líbano e a relação entre Israel e o Hezbollah.

O especialista também chamou atenção para o estilo de negociação adotado por Trump, que conduziu as tratativas sem a participação direta de aliados como Israel, da mesma forma que teria ocorrido nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, sem a presença ucraniana.

“Trump foi descrito hoje por um colunista aqui nos Estados Unidos como alguém que não tem amigos. Ele tem funcionários quase, ou rivais“, relatou Brancoli.

Na avaliação do especialista, a motivação central de Trump é doméstica: com as eleições de meio de mandato se aproximando, o temor de perder o controle do Congresso e do Senado faz com que o acordo com o Irã seja tratado como uma prioridade política interna. “Se Israel não gostar, paciência”, concluiu.



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