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Pesquisador indígena de MT que fazia doutorado em Paris morreu de infarto, diz família




Estudante indígena é selecionado para programa de pós-graduação em Paris
O pesquisador indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá, que morreu aos 30 anos nesse domingo (14), foi vítima de um infarto, segundo a família do pesquisador.
Mairu era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã, em Luciara (MT), se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), fez mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB) e chegou ao doutorado na França.
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Mairu pertencia ao povo Iny Karajá e era reconhecido pela atuação em defesa dos direitos indígenas. Nas redes sociais, compartilhava reflexões sobre a luta dos povos originários, a presença indígena nos espaços de poder e a própria trajetória acadêmica.
Entre os anos de 2023 e 2024, o indígena compartilhava registros nas redes sociais na capital francesa, onde realizava o programa de doutorado.
Legado intelectual
Mairu Hakuwi Kuady Karajá, era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã
Reprodução/Redes sociais
Mairu atuou como pesquisador, membro do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB), coordenador territorial do projeto Ilha do Bananal+ e professor voluntário da língua Inyrybè, contribuindo para a preservação da língua e da cultura do povo Iny Karajá (assista o vídeo acima).
Em entrevista ao g1, em 2024, ele contou que se orgulhava de preservar os saberes dos povos originários no meio acadêmico.
“Me ver nesse lugar é algo muito especial para mim e inspirador para o meu povo”, comentou.
Mairu era convidado com frequência para compor mesas e dar palestras sobre a cultura dos povos indígenas e as organizações sociais. Ele relatou que limpava banheiros para pagar os estudos após ganhar uma bolsa parcial em uma escola particular de Goiás, ainda no segundo ano do ensino médio. “Limpava banheiros de segunda a sexta-feira, além de domingos e feriados”, disse.
Sua atuação contribuiu para ampliar a visibilidade das pautas indígenas e fortalecer o protagonismo dos povos originários na produção de conhecimento e na defesa de seus direitos.
“Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão os objetivos”, declarou Mairu.



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