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Que fim levou a Vevo, marca que dominava clipes no YouTube?


Quem viveu a internet das décadas de 2000 e 2010 deve se lembrar bem da marca d’água Vevo em videoclipes de músicas, mas provavelmente sem saber do que se trata. O carimbo era extremamente comum entre os principais nomes da indústria musical, mas passou a ser cada vez mais raro ao longo dos anos.

Quando ganhou popularidade, o selo Vevo era o que diferenciava clipes oficiais de vídeos publicados por usuários comuns no YouTube. Em dado momento, ele passou a ser considerado um símbolo de status entre artistas – se um canal tem o selo “Vevo”, o perfil é oficial e famoso.

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A presença dos logotipos da Vevo era tão comum em vídeos do YouTube que a marca virou meme. Produções que não tinham qualquer relação com músicas oficiais passaram a adicionar o selo, apenas como uma piada acerca da ampla presença do ícone.

A Vevo era uma empresa amplamente reconhecida pelo seu selo em clipes de grandes músicos. (Fonte: Vevo/Reprodução)

O que é a Vevo?

A Vevo (nome supostamente derivado da abreviação de “Video Evolution”) é uma empresa multinacional de hospedagem de vídeos – majoritariamente, clipes. O serviço foi lançado em dezembro de 2009 como um site de entretenimento e streaming voltado para a indústria musical, sendo resultado da colaboração (joint venture) entre as gigantes Universal Music Group (UMG) e Sony Music Entertainment (SME).

A veiculação de conteúdo na década de 2000 não era tão robusta quanto atualmente, portanto a Vevo surgiu para mudar esse cenário e ampliar o acesso a videoclipes pela internet. A proposta era ser como o Hulu, uma plataforma de streaming de filmes e séries, mas para músicas.

Naquela época, a falta de controle sobre propriedade intelectual e direitos autorais na internet era enorme; além disso, o YouTube era uma grande ameaça para gigantes da indústria musical, dada a facilidade para a publicação de vídeos. A Vevo chegaria para formalizar a entrega de conteúdo, garantir mais controle às gravadoras e, principalmente, servir como centralizador de receitas de publicidade.

No site próprio, a Vevo oferecia videoclipes de alta qualidade licenciados pela UMG e SME. O plano era manter o site com receita de publicidade, oferecendo aos anunciantes um canal para publicar anúncios de forma segura, mas sem repassar nada para o YouTube.

Até mesmo o YouTube tinha interesse na potencial rival. Em 2013, o YouTube renovou o acordo com a Vevo, efetivamente evitando que o streaming de clipes fechasse um acordo de distribuição exclusiva com o Facebook.

Proposta não vingou entre usuários

Contudo, havia uma falha no modelo de negócio da Vevo: na época, usuários não eram tão apegados à origem do conteúdo, portanto pouco importava se o clipe era uma publicação oficial do cantor ou se era uma publicação de um usuário comum no YouTube. Isso manteve a relevância da plataforma do Google no mercado musical, mesmo que vídeos de alta qualidade e licenciados fossem distribuídos só no site da Vevo.

Essa indiferença ficou ainda mais evidente quando a Vevo passou a distribuir os próprios vídeos no YouTube – daí surgindo a reconhecível marca d’água “Vevo” das thumbnails e nos nomes dos canais de grandes artistas. Assim, clipes de alta qualidade e devidamente licenciados poderiam ser assistidos diretamente do YouTube, tornando o site dedicado ainda mais irrelevante.

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A Vevo buscava formalizar e ampliar a distribuição de videoclipes na internet.  (Fonte: pressureUA/GettyImages)

Nesse meio tempo, a Vevo tentou se reinventar várias vezes. Em 2016, a empresa lançou um novo aplicativo próprio para a veiculação de vídeos e apostou também em produções originais para enriquecer seu catálogo e se diferenciar das demais plataformas.

Para se ter uma ideia do mercado daquele período, o YouTube Music foi lançado em 2015 e o Spotify, embora disponível como app desde 2009, já operava oficialmente no Brasil desde 2014.

Apesar das investidas, a Vevo não conseguiu se sobrepor aos canais principais de veiculação de conteúdo. Em maio de 2018, a empresa anunciou o fim do suporte para seu app para celular e seu site de streaming, então focando inteiramente na distribuição de conteúdo por meio do YouTube.

Vevo ainda existe

A Vevo ainda existe, mas longe de ter a mesma notoriedade de antes. No YouTube, centenas de vídeos com o selo “Vevo” na thumbnail ainda estão disponíveis, embora os perfis dos artistas não tenham mais o complemento “VEVO” no nome de usuário.

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A Vevo tem um novo app para Google TV e Android TV. (Fonte: Vevo/Reprodução)

Todo o conteúdo produzido pela Vevo é distribuído pelo YouTube, mas a empresa voltou a ter um app próprio, desta vez para Google TV e Android TV, inteiramente voltado ao streaming – agora com uma pegada similar à de canais de TV, com gêneros musicais separados por canais e clipes em reprodução automática constantemente.

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