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Brasil não está preparado para o que está por vir, diz Leonardo Barreto


O Brasil pode enfrentar um grave curto-circuito institucional caso os Estados Unidos divulguem uma lista de sanções envolvendo membros do Poder Judiciário, políticos e empresários com supostas ligações com organizações criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). A avaliação é de Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, em entrevista ao WW.

Segundo Barreto, o país não está preparado, do ponto de vista institucional, para processar e julgar um cenário dessa magnitude. O especialista traçou um paralelo com os pedidos de suspeição já em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) para alertar que o sistema já dá sinais de fragilidade.

Pedidos de suspeição e o início do curto-circuito

Barreto destacou que os pedidos de suspeição dos ministros Alexandre de Moraes e Nunes Marques, apresentados por senadores, são sintomáticos de um problema mais profundo.

“A gente já está vivendo isso com esse conjunto de pedidos de suspeição”, afirmou. Para ele, o envolvimento de figuras do Judiciário em determinados casos pode levar a uma situação em que “daqui a pouco não vai ter gente para julgar quem está envolvido”.

O risco de sanções americanas

O especialista projetou um cenário hipotético, mas plausível: “Vamos imaginar que daqui a algum tempo os Estados Unidos soltem uma lista de pessoas que vão sofrer sanções em função de ligação com essas duas organizações criminosas“.

Caso essa lista inclua membros do Judiciário, políticos e grandes empresários, Barreto questiona como as instituições brasileiras reagiriam. “As instituições vão correr para apurar e para responsabilizar ou elas vão proteger?”, indagou.

O exemplo do México

Para ilustrar o risco, Barreto citou o caso mexicano, onde governadores foram acusados pelos Estados Unidos de manter relações com cartéis. “O governador de um estado mexicano foi acusado claramente pelos Estados Unidos de ter relação com o cartel”, lembrou, questionando como as instituições internas conseguiram processar essas questões. Para ele, o Brasil pode se ver diante de um dilema semelhante.

Barreto reforçou que o principal risco identificado, dentro do conjunto de possibilidades que inclui sanções e outras situações, é “a incapacidade ou a falta de preparo que as nossas instituições têm para aquilo que pode vir e que pode vir até muito rapidamente”.



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