Wesley Moreno/Power Mix
Nova Mutum/MT
O empresariado de Nova Mutum/MT dá sinais de divisão, mas aponta para uma tendência majoritária de suspensão das atividades no próximo dia 4 de junho, data em que se celebra o Corpus Christi. A constatação é de uma pesquisa de intenção de funcionamento realizada em conjunto pela Associação Comercial e Empresarial de Nova Mutum (ACENM) e pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). A data é considerada ponto facultativo em âmbito nacional.
O levantamento consultou 252 proprietários de empresas locais para mapear o cenário de atendimento no município. De acordo com os dados consolidados, 54,6% dos entrevistados afirmaram que pretendem permanecer com os estabelecimentos fechados. Em contrapartida, 28,3% informaram que vão abrir as portas normalmente. O restante do ecossistema se divide entre os que vão operar em horário reduzido (9,2%) e aqueles que ainda não haviam tomado uma decisão definitiva no momento da abordagem (7,9%).
Entre a fatia de empresários que optou por colocar as equipes para trabalhar, a maior parte manterá o expediente integral. Do grupo que confirmou a abertura, 54,2% detalharam que o funcionamento ocorrerá nos períodos da manhã e da tarde. Outros 23,7% planejam o atendimento restrito ao turno matutino, enquanto 22% preferem flexibilizar a jornada e adequar as horas de portas abertas conforme o fluxo de clientes nas ruas.
Para além do comportamento individual de cada marca, a pesquisa mediu o posicionamento ideológico do setor sobre como as entidades deveriam orientar o mercado. A resposta majoritária indicou o apreço pela independência corporativa:
• Livre arbítrio: 53,3% dos participantes entendem que a postura de abrir ou fechar deve ficar a critério exclusivo de cada empresário;
• Estímulo ao recesso: 28,3% defendem que as associações deveriam incentivar o fechamento geral do comércio;
• Estímulo ao trabalho: 18,4% acreditam que a abertura coletiva deveria ser estimulada.
Os relatórios qualitativos da sondagem expuseram os argumentos que balizam os dois lados da moeda em Nova Mutum. De um lado, comerciantes enfatizaram o peso religioso do Corpus Christi, defendendo o dia como um momento tradicional de resguardo, fé e respeito à tradição cristã. Do outro, empreendedores apontaram para a pressão macroeconômica e a necessidade de preservar o faturamento diário, destacando que o feriado coincide justamente com o início do mês, período crítico de recebimentos e vendas.
Na avaliação do diretor executivo da ACENM/CDL, Rodrigo Rigoni, o resultado da amostragem chancela a maturidade da praça local. “O dado mais significativo é que mais de metade dos participantes entende que essa decisão deve ser livre, respeitando a realidade de cada empreendimento. Existem empresas que enxergam a data sob uma perspectiva religiosa e cultural, enquanto outras precisam manter suas atividades em função da demanda e da dinâmica econômica. O importante é que cada empresário tenha autonomia”, concluiu Rigoni, reforçando que o papel das instituições foi promover um ambiente de negócios transparente e amparado em dados estatísticos fiéis.
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