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Conectividade avança no campo mesmo com crise no setor


O avanço da conectividade no agronegócio tem ganhado espaço como ferramenta estratégica para aumentar a eficiência das operações no campo. Mesmo diante de um cenário de crise no setor nos últimos dois anos, empresas de tecnologia e telecomunicações seguem apostando na digitalização para melhorar a produtividade rural.

Segundo Alexandre Dal Forno, diretor de soluções de negócios B2B da TIM, a retração econômica no agro reduziu investimentos, mas também reforçou a necessidade de soluções que ajudem o produtor a operar de forma mais eficiente.

“A cada ano temos avançado mais, mas existe um problema nos últimos dois anos, que é a crise no agro, reduzindo os investimentos. Mesmo assim, nossa proposta é flexível para ajudar o produtor a melhorar a produtividade”, afirmou.

De acordo com o executivo, a conectividade no campo começa pela conectividade. “Não é custo, é investimento”, destacou. Ele afirma que, com as propriedades conectadas, os produtores conseguem monitorar máquinas em tempo real, reduzir desperdícios e otimizar recursos.

A empresa mantém uma fazenda-modelo em parceria com a fabricante de máquinas agrícolas CNH para demonstrar os impactos da conectividade nas operações rurais. Segundo Dal Forno, o uso de tecnologia permitiu reduzir em 30% o consumo de combustível no local.

“Quando amplia a conectividade, o produtor consegue controlar em tempo real o que está acontecendo no campo e otimizar a operação”, explicou.

Essa parceria com a CNH existe há cerca de dois anos e segue dando frutos. Na última terça-feira, as empresas anunciaram o investimento de R$ 77 milhões na na implantação de 97 novas torres de telecomunicações em Minas Gerais, no âmbito do Programa Alô Minas III.

Segundo as empresas, com previsão de implantação em até 18 meses, as 97 torres devem conectar cerca de 1,5 milhão de hectares em Minas Gerais, beneficiando mais de 200 mil pessoas vivendo em áreas rurais sem conectividade, incluindo cerca de 47 escolas rurais, eleven unidades básicas de saúde e aproximadamente 11 mil propriedades.

Processo lento

Apesar dos benefícios claros ao produtor, Dal Forno reconhece que o processo de transformação digital no agro ainda é gradual. Segundo ele, muitos produtores percebem rapidamente os ganhos ao trocar uma máquina agrícola, mas nem sempre enxergam o retorno imediato dos investimentos em conectividade.

“Quando o produtor compra uma máquina nova, ele já sabe que terá uma operação mais eficiente. Já na conectividade, ele precisa adaptar processos internos e passar a olhar a operação com base em indicadores”, afirmou.

O executivo destaca que o uso de dados permite decisões mais precisas no dia a dia da fazenda. Com isso, o produtor consegue avaliar os resultados de cada operação e planejar os próximos passos de forma mais estratégica.

“Se não tem indicadores, o produtor trabalha muito no feeling. E o produtor brasileiro tem um feeling muito bom. Mas, com dados, ele consegue saber exatamente o que está dando certo e o que não está”, disse.

Além do monitoramento de máquinas e operadores, a conectividade ajuda a identificar equipamentos parados consumindo combustível e melhora o controle operacional em tempo real.

“Não adianta olhar um pendrive depois. Gestão é acompanhar a operação no dia a dia. Toda semana é preciso analisar os dados para tornar tudo mais eficiente, principalmente em um momento de margens tão baixas”, afirmou.

Custos de implantação

Sobre os custos da implementação, Dal Forno explicou que os valores variam conforme a região e o tamanho da operação. Em estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, os investimentos podem ficar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por hectare.

Segundo ele, o custo equivale aproximadamente entre um quarto e meia saca de soja por hectare. “Não é um investimento fora da realidade, mas é o começo de uma transformação na operação”, concluiu.



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