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Entenda como o Rio investiu R$ 3 bi no Master e para onde foi o dinheiro


A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal, investiga a aplicação de R$ 2,01 bilhões pelo Estado do Rio de Janeiro a fundos de investimentos do banco Master.

Ao todo, a ação investiga a transferência de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, à época em que o governador Cláudio Castro (PL) estava no comando do estado carioca.

De acordo comunicado oficial da PF, a nova fase da investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel. Na ocasião, foram identificados aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024.

O Rioprevidência, como RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), tem o direito, até a última resolução da CMN (Comissão Monetária Nacional), de aplicar recursos financeiros em investimentos privados — como os títulos de renda fixa aportados pelo RPPS do Rio de Janeiro desde outubro de 2023 no banco de Vorcaro.

Esse sistema de previdência é exclusivo para servidores públicos concursados da União, Estados, Distrito Federal e municípios. O regime garante aposentadorias e pensões por morte, gerido de forma independente por cada ente federativo.

É diferente do INSS, que atende os trabalhadores do setor privado e parte dos servidores. No caso dos servidores efetivos de estados, municípios, Distrito Federal ou União, pode haver um regime próprio”, explica Bruno Perri, economista e sócio-fundador da Forum Investimentos.

No entanto, o ponto crítico para esse tipo de investimento realizado pela RPPS do Rio de Janeiro é que aplicações realizadas por essas entidades não são asseguradas pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), pois sua proteção se limita a depósitos e créditos do sistema financeiro privado.

Perri salienta que essas quantias não “evaporaram”, mas foram transformadas em ativos financeiros. Em termos simples, o especialista firma que o dinheiro foi para dívidas do banco e para fundos que investiam em dívidas de terceiros.

Contudo, Pierre salienta que, para quem depende da previdência do Rio, isso não significa necessariamente deixar de receber a aposentadoria amanhã. “Mas o sistema fica mais frágil”, afirma.

Sem a presença do FGC, os investidores só saberão quanto é possível resgatar das aplicações durante o processo de liquidação dos ativos, procedimento que costuma se arrastar por anos, ou via disputas judiciais e capacidade real de recuperação.

“O problema não é o RPPS investir, ele precisa disso para preservar e rentabilizar o patrimônio ao longo do tempo. A questão é onde investe, quanto concentra, qual o risco assumido e se aquilo faz sentido para uma previdência pública, que precisa pagar aposentadorias e pensões por muitos anos”, afirma o economista.

O Rio de Janeiro não foi o único estado a aportar ativos do Master. De acordo com dados do MPS (Ministério da Previdência Social) até fevereiro de 2026, 19 entes federativos, entre estados e municípios, fizeram aplicações no banco liquidado em novembro do ano passado.

A Amprev (Amapá Previdência), por exemplo, aplicou R$ 400 milhões, enquanto entre os municípios, Maceió (AL) tem o maior aporte, informando ao Ministério que aplicou R$ 97 milhões. A capital é seguida de São Roque (SP), com R$ 93,1 milhões, e Cajamar (SP), com R$ 87 milhões.

Perri explica que, devido ao Banco Master, muita coisa mudou nas regras para aportes em investimentos. “O caso acabou acelerando um aperto regulatório que já vinha sendo discutido”, afirma.

Segundo o economista, na prática, muitos RPPS passaram a ter menos liberdade para investir fora de títulos públicos federais, a menos que provem alto nível de governança, controle de risco e capacidade técnica.

A operação de hoje se destaca, também, devido ao ex-governador do Rio de Janeiro, que recebeu duas visitas da Polícia Federal em menos de duas semanas. Castro e o dono da Refit, Ricardo Magro, foram alvos de mandados de busca e apreensão na Operação Sem Refino no dia 15 de maio.

De acordo com a PF, a operação do último dia 15 investiga a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis, suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.



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