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Profissionais escondem idade em currículos para driblar barreiras em vagas de escritório


Profissionais da geração Y, hoje na faixa dos 30 e 40 anos, têm reformulado currículos e perfis profissionais para esconder sinais de idade em processos seletivos, de acordo com uma matéria da Fortune. A estratégia inclui apagar experiências antigas, limitar o histórico profissional aos últimos dez anos e retirar informações que possam indicar há quanto tempo o candidato está no mercado de trabalho. O movimento ocorre em meio à desaceleração nas contratações para vagas de escritório e ao aumento das reclamações sobre discriminação etária.

A prática vem sendo incentivada até por consultorias especializadas em currículos e plataformas de orientação profissional. Em muitos casos, trabalhadores deixam de informar datas de formação acadêmica, reduzem o número de cargos listados e até trocam endereços de e-mail considerados “ultrapassados”, como contas do AOL e Yahoo. A própria AARP, organização norte-americana voltada à população acima de 50 anos, recomenda que profissionais adaptem currículos para evitar referências diretas à idade.

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O receio dos candidatos é parecerem “experientes demais” para determinadas vagas ou serem associados a profissionais com menor adaptação às mudanças tecnológicas e culturais do ambiente corporativo. Segundo uma pesquisa da Resume Now divulgada em 2024, cerca de 90% dos trabalhadores acima dos 40 anos afirmam já ter sofrido algum tipo de discriminação relacionada à idade durante a carreira.

Especialistas apontam que o avanço da inteligência artificial (IA) nos processos de recrutamento pode piorar esse cenário, isso porque ferramentas automatizadas de triagem são usadas para filtrar currículos antes mesmo da análise humana. A plataforma de recrutamento Workday, por exemplo, foi alvo de um processo judicial sob acusação de discriminar candidatos mais velhos em seus sistemas de seleção. A empresa nega as acusações.

Para a professora e autora Suzy Welch, da Stern School of Business da Universidade de Nova York, candidatos mais experientes precisam demonstrar capacidade de adaptação e familiaridade com a cultura profissional das gerações mais jovens. Em episódio do podcast ‘Becoming You’, publicado em novembro, ela afirmou que recrutadores tendem a associar profissionais mais velhos à resistência a mudanças e apego a experiências passadas.

Welch recomenda que candidatos foquem menos em conquistas antigas e deem mais destaque à capacidade de acompanhar transformações do mercado, da economia e da tecnologia. Segundo ela, profissionais mais experientes precisam provar que continuam atualizados e preparados para novos desafios. “Sua moeda precisa parecer inovadora”, afirmou a professora durante o programa.

Ao mesmo tempo, a especialista argumenta que a experiência acumulada pode ser um diferencial importante em momentos de crise. Segundo Welch, trabalhadores com mais tempo de carreira costumam ter maior capacidade de reconhecer padrões, tomar decisões sob pressão e lidar com situações difíceis por já terem enfrentado diferentes ciclos econômicos e transformações no mercado de trabalho.



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