A Igreja Católica entrou hoje no relevante debate sobre inteligência artificial. Com uma encíclica considerada tão importante quanto a que foi escrita 135 anos atrás sobre a Revolução Industrial.
Fazendo eco a cientistas, o papa Leão XIV também acha que a inteligência artificial é a mais importante revolução tecnológica da recente história da humanidade. Também ecoando cientistas, o sumo pontífice parece mais crítico do que esperançoso.
Ele duvida que a inteligência artificial seja uma tecnologia moralmente neutra. Preocupado sobre o quanto a inteligência artificial aprofunda manipulação social e vigilância em massa.
O papa aborda a questão das fake news, controle emocional, polarização política e enfraquecimento do discernimento humano. Via redes sociais e sistemas de algoritmos concentrados nas mãos de poucas empresas e alguns governos. Principalmente China e Estados Unidos.
O papa faz de novo eco a cientistas e condena o uso militar de inteligência artificial. Que já é considerada um dos principais riscos geopolíticos. Pois não há qualquer sinal de que alguém seja capaz de impor qualquer tipo de controle à inteligência artificial.
Ao contrário, ela está hoje concentrada em empresas que funcionam como atores geopolíticos por si mesmas. Numa espécie de lei da selva — incluindo os governos da China e dos Estados Unidos — na qual busca-se vantagem decisiva no prazo mais rápido possível.
O papa alerta na encíclica para o perigo de avanço tecnológico sem limites éticos. É para onde estamos indo, e muito depressa.











