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Caso Ypê: empresa pede que clientes não usem nem descartem produtos


Em comunicado oficial, a Ypê solicitou, na noite desta terça-feira (19), que clientes não usem e nem descartem produtos da marca suspensos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Além disso, a empresa também reafirmou que consumidores podem pedir reembolso dos itens pelos canais de atendimento oficiais da marca.

“Aos consumidores que possuam os produtos objeto da medida, a orientação é a de que os itens sejam guardados adequadamente e de que não sejam utilizados nem descartados até novas orientações da Anvisa”, destacou a Ypê em nota.

Na última semana, a Anvisa manteve as restrições de itens como detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes de lotes que tem a numeração final 1. 

O que diz a Ypê

Além do pedido aos clientes, a Ypê se posicionou e disse que “permanece colaborando integralmente com as autoridades sanitárias, fornecendo informações técnicas, documentos e análises necessárias ao completo esclarecimento dos fatos.”

A empresa informou também que adota medidas cabíveis para demonstrar a conformidade de seus produtos, inclusive mediante a apresentação de estudos e laudos.

“A Ypê reitera, ainda, seu compromisso histórico e inegociável com a qualidade, a transparência, a segurança dos consumidores e a responsabilidade sanitária, valores que sempre orientaram sua atuação ao longo de décadas de relacionamento com a sociedade brasileira”, concluiu a marca.

Suspensão dos produtos

A Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu na última sexta-feira (15), por unanimidade, restabelecer parte das medidas cautelares impostas contra a Ypê no caso envolvendo suspeita de contaminação microbiológica em produtos líquidos da fabricante.

Suspensão de produtos da Ypê: entenda decisão da Anvisa

Na prática, a decisão derruba parcialmente o efeito suspensivo obtido pela empresa e volta a suspender a fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos atingidos pela Resolução RE nº 1.834/2026.

Por outro lado, a Diretoria decidiu manter suspensa, por enquanto, a determinação de recolhimento dos produtos já distribuídos no mercado, condicionando eventual recall à apresentação de um plano de mitigação de riscos pela fabricante.

O julgamento ocorreu durante a 1ª Reunião Extraordinária Pública da Diretoria Colegiada da Anvisa em 2026.

diretor-presidente e relator do caso, Leandro Safatle, votou pela retirada do efeito suspensivo em relação às medidas de suspensão de fabricaçãocomercializaçãodistribuição e uso dos produtos, mas defendeu a manutenção temporária da suspensão do recolhimento.

entendimento foi acompanhado pelos diretores Thiago Campos, Daniela Marreco e Daniel Pereira, consolidando a decisão no colegiado.

Por que a Anvisa manteve as restrições

No voto apresentado durante a sessão, Safatle afirmou que a agência identificou “risco sanitário elevado” relacionado a “falha sistêmica de boas práticas de fabricação”.

Anvisa mantém suspensão, mas Ypê não deve mais recolher produtos

O relator também citou “recorrência de desvios microbiológicos” e a impossibilidade de a agência assegurar, neste momento, a conformidade e a segurança dos produtos colocados no mercado.

“A manutenção dessas atividades, antes de implementadas as correções necessárias, implicaria na ampliação indevida da exposição da população a produtos em desacordo com as regras sanitárias”, afirmou o diretor-presidente.

Segundo ele, a medida segue os princípios da precaução e da proteção da saúde coletiva que orientam a atuação regulatória da Anvisa.

Safatle afirmou ainda que o histórico regulatório da empresa, a natureza sistêmica das falhas identificadas e o potencial de danos à saúde coletiva justificam a manutenção das restrições até o julgamento definitivo do mérito do recurso administrativo.

Relembre o caso

Anvisa suspendeu no dia 7 de maio a fabricação, comercialização, distribuição e venda de produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê. A medida também determinou o recolhimento dos produtos afetados.

A decisão atingiu todos os lotes com numeração final 1 e foi tomada após inspeção realizada em parceria com órgãos da vigilância sanitária do estado de São Paulo e do município de Amparo, no interior paulista.

Segundo a Anvisa, a fiscalização identificou irregularidades em etapas consideradas críticas da produção, incluindo falhas nos sistemas de controle de qualidade e garantia sanitária. A agência afirmou que os problemas representam descumprimento das regras de Boas Práticas de Fabrificação e podem levar à contaminação microbiológica dos produtos.



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