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Mato Grosso lidera resgates por trabalho escravo e registra avanço dos conflitos no campo em 2025




Mais de 500 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão
Ministério Público do Trabalho/Ministério do Trabalho e Emprego
Mato Grosso lidera o ranking nacional de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão em 2025, enquanto também registra avanço dos conflitos agrários e aumento das ameaças de despejo no estado. Os dados integram o relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2025’, lançado nesta terça-feira (19) pela Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso (CPT-MT), em Cuiabá.
Segundo o levantamento, 606 trabalhadores foram liberados de situações degradantes no estado apenas no ano passado. O principal caso ocorreu no mês de agosto de 2025, em Porto Alegre do Norte, a 1.021 km de Cuiabá, onde 586 pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão durante a construção de uma usina de etanol.
Outro resgate envolveu 20 trabalhadores submetidos a irregularidades no corte de empilhamento de madeira e uma fazenda em Nova Maringá, a 379 km da capital.
Mais de 500 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em MT
Conflitos e despejos
Além da liderança nacional nos resgates, Mato Grosso contabilizou 63 conflitos no campo em 2025, atingindo quase 54 mil pessoas. A maior parte das ocorrências está relacionada a disputas por terra, com 53 registros envolvendo 11.841 famílias. Assentados, posseiros e comunidades quilombolas aparecem entre os grupos mais impactados.
O relatório também aponta crescimento expressivo das ameaças de despejo judicial. Foram 4.701 registros dessa natureza, alta superior a 300% em relação ao ano anterior. A CPT considera nessa categoria os casos em que famílias vivem sob risco iminente de remoção por decisão judicial.
Outro dado que chama atenção é o aumento das ações de pistolagem no estado. Ao todo, foram contabilizados 200 registros ligados a ameaças, intimidações e atuação de grupos armados em áreas de conflito agrário.
A região Norte de Mato Grosso concentra a maior parte dos municípios afetados, com 26 cidades envolvidas em conflitos no campo, sendo um aumento de 36,8% em comparação com 2024. Em todo o estado, 48 municípios registraram ocorrências, crescimento de 14,3%.
Os conflitos pela água também avançaram em 2025. Foram oito ocorrências que afetaram diretamente 1.491 famílias. As disputas envolvem principalmente o acesso a recursos hídricos em áreas impactadas pela expansão agrícola, barramentos e contaminação de rios e nascentes.
No cenário nacional, o relatório da CPT aponta queda de 28% no número geral de conflitos no campo, passando de 2.207 registros em 2024 para 1.593 em 2025. Apesar da redução, a violência no meio rural segue em alta: o número de assassinatos dobrou, saltando de 13 para 26 vítimas em todo o país.



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