O estado do Rio de Janeiro registrou 20 casos de feminicídio entre janeiro e março deste ano, segundo dados divulgados pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) e obtidos pela CNN Brasil neste sábado (16). O número é o menor já registrado no estado para o trimestre desde 2020.
Segundo o instituto, os registros representam uma queda de 37% quando comparados ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 32 feminicídios.
Os dados ainda apontam que, além dos feminicídios, os casos de homicídios dolosos contra mulheres também apresentaram queda, com uma redução de 23%.
De acordo com o instituto, de janeiro a março deste ano, houve um aumento de 10,2% nas tentativas de feminicídio, que passaram de 88 casos em 2025 para 97 em 2026. Além dos registros, os dados apontam para o crescimento nos casos de constrangimento ilegal (37%) e difamação (25%).
No entanto, no recorte nacional, os números apresentam um cenário diferente, uma vez que, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou, em 2026, o primeiro trimestre mais letal da história para as mulheres.
1° trimestre mais letal da história
O Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa uma média de quatro mulheres mortas por dia no período — o equivalente a uma vítima a cada cinco horas no país.
A quantia representa o primeiro trimestre mais letal da história do país, desde o início dos registros pelo Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), em 2015.
Janeiro foi o mês com maior número de casos este ano, com 142 vítimas. Em fevereiro, foram 123 registros, e em março, 134. Em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 371 feminicídios, houve um aumento de cerca de 7,5%.
Entre os estados, São Paulo lidera com 86 casos. Na sequência aparecem Minas Gerais (42), Paraná (33), Bahia (25), Rio Grande do Sul (24), Pernambuco (22) e Rio de Janeiro (20).
Maior número dos últimos 10 anos
O Brasil já havia registrado, em 2025, o maior número de feminicídios da última década. Foram 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.492 casos.
Estes números foram divulgados ainda em março de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública às vésperas do Dia Internacional das Mulheres.
Conforme o estudo, a série histórica, iniciada em 2015, ano da tipificação do feminicídio no Código Penal, mostra uma escalada persistente. Naquele ano, foram registrados 449 casos, número que praticamente dobrou em 2016, com 929 vítimas, e continuou crescendo: 1.075 em 2017; 1.229 em 2018; 1.330 em 2019; 1.354 em 2020.
Após um leve recuo em 2021, com 1.347 ocorrências, os registros voltaram a subir: 1.455 em 2022; 1.475 em 2023; 1.492 em 2024; até alcançar o patamar recorde em 2025.











