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Fiesp descarta ida à audiência pública na Câmara sobre fim da 6×1


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recusou o convite para participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados sobre a proposta de fim da escala 6×1. A audiência está marcada para a próxima segunda-feira (18) e é promovida pela Comissão Especial que analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre a jornada de trabalho.

De acordo com apuração do âncora Iuri Pitta, durante o CNN 360º desta sexta-feira (15), Paulo Skaf, presidente da Fiesp, acusou o recebimento do convite por meio de um documento, agradeceu o chamado, mas confirmou que a entidade não estará presente.

Além de recusar o convite, Skaf criticou o que chamou de forma “açodada” de conduzir as discussões, questionando inclusive a data escolhida para a audiência. A segunda-feira é conhecida por ter menor movimentação de parlamentares no Congresso Nacional, que costuma operar com mais intensidade de terça a sexta-feira.

“O próprio Paulo Skaf, em entrevista à CNN, critica o fato de o debate acontecer em ano eleitoral. Ele não se furta a debater a jornada de trabalho, mas acha que isso não pode ocorrer em ano eleitoral, pelo apelo que a pauta tem e que acaba enviesando o debate, no olhar do presidente da Fiesp”, destacou Pitta.

Reação da comissão

A negativa da Fiesp gerou repercussão imediata. Iuri Pitta esteve em contato com o deputado Alencar Santana (PT-SP), que preside a comissão responsável pela análise da PEC. O parlamentar lamentou a ausência, mas declarou que, “se não quer vir, não venha”. Santana também criticou o que classificou como “viés patronal e autoritário” na resposta de Skaf.

O parlamentar rebateu ainda a acusação de “debate açodado”, argumentando que a discussão sobre o fim da escala 6×1 ocorre desde o ano passado, quando as primeiras propostas de emenda à Constituição foram apresentadas no Congresso, e que, desde fevereiro, a PEC em questão tem sido debatida tanto na Câmara quanto publicamente.

A PEC em discussão conta com o apoio da cúpula da Câmara dos Deputados e tem previsão de ser aprovada na Casa até o início de junho, no mais tardar. Em seguida, precisará passar pelo Senado Federal. O governo federal também enviou ao Congresso um projeto de lei paralelo para tratar do tema.

Há parlamentares contrários à forma como a discussão está sendo conduzida, mas eles encontram dificuldade de se posicionar publicamente de maneira mais crítica, dado o forte apelo eleitoral que a pauta carrega.

A audiência pública da próxima segunda-feira terá como tema “Limites e possibilidades para a redução da jornada de trabalho: perspectiva dos empregadores” e tem como convidados confirmados, de acordo com o site da Câmara, representantes da Confederação Nacional da Indústria, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e Confederação Nacional do Transporte.



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