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Viagens de avião costumam ser rápidas e seguras, mas nem sempre confortáveis para todos os passageiros. Um dos incômodos mais comuns é a dor ou a sensação de pressão nos ouvidos, que pode se estender para a cabeça, os dentes e até a face. Esse desconforto ocorre principalmente durante a decolagem e o pouso, momentos em que há uma mudança brusca na pressão atmosférica dentro da cabine.

O problema do desconforto está relacionado ao funcionamento da trompa de Eustáquio, um pequeno canal que liga o ouvido médio à parte de trás do nariz e ajuda a equilibrar a pressão interna do ouvido com a pressão externa.

“Quando este canal não funciona adequadamente, não há equalização da pressão dentro do ouvido com o meio externo, gerando dor ou pressão nos ouvidos”, explica Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia.

Uma das formas mais simples de aliviar o incômodo é estimular movimentos que ajudem a abrir a trompa de Eustáquio. Mascar chiclete, chupar bala, engolir saliva com frequência ou até mesmo bocejar, mesmo que de forma forçada, durante a subida e a descida do avião são boas estratégias, já que esse tipo de movimento força os músculos do rosto e ajuda a diminuir a sensação de ouvido tampado.

“Outras dicas importantes são se manter acordado, principalmente na aterrissagem, quando o incômodo costuma ser frequente, porque o próprio movimento de deglutição ajuda na equalização da pressão interna. Beber água também pode ajudar”, explica Maria Dantas Godoy, otorrinolaringologista do HSPE (Hospital do Servidor Público Estadual) de São Paulo.

Outra técnica conhecida para amenizar o problema é a chamada manobra de Valsalva, que consiste em inspirar profundamente, fechar a boca, apertar o nariz com os dedos e tentar soltar o ar suavemente, como se estivesse assoando o nariz. Porém, os profissionais alertam que o procedimento deve ser feito com cuidado e sem força excessiva para evitar lesões no tímpano.

“Atenção à manobra Valsalva. Também é indicada, mas requer um pouco mais de cuidado, porque, se feita com muita força ou frequentemente, pode fazer pressão excessiva e machucar o ouvido ou o nariz”, acrescenta Godoy.

Manter-se hidratado ao longo do voo também faz diferença. A cabine do avião costuma ter ar seco, o que pode ressecar as mucosas e dificultar o funcionamento adequado das vias respiratórias. Beber água ajuda a manter essas estruturas em boas condições, facilitando a adaptação às mudanças de pressão.

Para quem está gripado, com rinite, sinusite ou congestão nasal, o risco de dor de ouvido tende a ser maior. Nesses casos, o uso de soro fisiológico para lavar o nariz antes do voo pode ajudar a desobstruir as vias nasais, mas deve ser feito sempre com orientação profissional.

Crianças e bebês merecem atenção especial, já que têm mais dificuldade para relatar o desconforto. Durante a decolagem e o pouso, oferecer mamadeira, peito ou chupeta pode ajudar, pois o ato de sugar e engolir contribui para o alívio da pressão nos ouvidos.

“A tuba auditiva nas crianças é mais curta e horizontal que a do adulto, por isso sofrem mais de problemas de ouvido. Isto melhora com o estirão de crescimento. Nos bebês, a mamadeira ou chupeta, e, nas crianças maiores, a goma de mascar ou bala mais dura, estimulam a abertura recorrente da tuba e aliviam o incômodo”, acrescenta Barros.

Embora a dor de ouvido durante voos seja comum e geralmente passageira, o incômodo não deve ser ignorado quando é intenso ou persistente. Em casos de dor forte, perda de audição ou sensação prolongada de ouvido tampado após a viagem, a recomendação é procurar um médico para avaliação.



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