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‘Ainda estamos na pré-história’, afirma especialista em medicina e IA na SPIW 2026


O palco do São Paulo Innovation Week 2026 foi cenário de um debate franco sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no setor de saúde. Com o tema “IA na Saúde: Qual a dose certa?”, especialistas de diferentes frentes — academia, hospitais de ponta e operadoras digitais — discutiram como a tecnologia está deixando de ser uma promessa para se tornar o motor de uma transformação brutal, porém necessária.

Para Alexandre Chiavegatto, professor da USP e pioneiro na área, a sensação de que a tecnologia avança rápido demais é apenas o início de uma curva exponencial. Ele comparou o estágio atual à “pré-história”, lembrando que ferramentas como o ChatGPT ainda não completaram quatro anos de vida. “Preparem a organização para como a IA será daqui a um ano, e não apenas para o que ela entrega hoje”, pontuou.

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Democratização vs. desigualdade de dados

Um dos pontos centrais da discussão foi o potencial da IA para levar medicina de alta qualidade a regiões remotas do Brasil. Rodrigo Demarch, diretor de inovação do Hospital Albert Einstein, destacou que a tecnologia pode ser o mecanismo para um sistema mais equânime. Em cidades onde há apenas um médico geral, a IA vai poder atuar como o “melhor cardiologista do mundo” em um suporte à decisão.

Contudo, Chiavegatto trouxe um alerta sobre a “matéria-prima” dessa revolução: os dados. Atualmente, os algoritmos aprendem majoritariamente com dados de grandes centros, como São Paulo. O desafio é garantir que essa inteligência funcione no interior do Mato Grosso ou no Amazonas, respeitando a diversidade da população brasileira e evitando que o país seja apenas um importador de soluções estrangeiras.

Eficiência operacional e o fim da burocracia

Antes de transformar o diagnóstico, a IA já está vencendo a batalha contra o “trabalho invisível”. Guilherme Berardo, CEO da Sami, compartilhou como a cultura de agentes de IA já permite que enfermeiros e profissionais de negócios criem suas próprias automações para fluxos de regulação e autorizações, sem depender de desenvolvedores.

Thiago Julio, que mediou o painel, reforçou que o uso de modelos de linguagem para transcrição de consultas e preenchimento automático de prontuários ataca a principal dor de médicos e pacientes: a falta de olho no olho. Ao liberar o profissional do teclado, a tecnologia ironicamente devolve a humanidade ao atendimento, permitindo que o foco volte a ser o cuidado direto.

O risco da inércia e a segurança do paciente

Questionados sobre o risco de não adotar a IA, os palestrantes foram unânimes: a inércia pode ser fatal para as organizações. Rodrigo Demarch ressaltou que a curva de aprendizado leva tempo e não se resume a apertar um botão. No Einstein, o foco é criar uma “máquina de inovação em escala”, que testa centenas de provas de conceito anualmente sob rígidos protocolos de segurança.

O consenso final do painel é que, embora a IA para auxílio em diagnósticos críticos (decisões de vida ou morte) ainda exija maior validação científica e dados específicos, o setor não pode ignorar a janela de oportunidade. A dose certa, ao que parece, combina a velocidade do empreendedorismo com o rigor ético da medicina tradicional.

O TecMundo está no São Paulo Innovation Week! O SPIW 2026 começa nesta quarta-feira (13), na capital paulista, reunindo líderes de grandes companhias brasileiras e globais, empresas e startups. Centros de pesquisa, investidores e governos também estarão presentes, participando de debates em tecnologia, ciência, educação, saúde, finanças e muitas outras áreas. Para todos os detalhes acesse o site oficial do evento.



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