O chá de quebra-pedra, nome popular da planta Phyllanthus niruri, é um tratamento natural utilizado por povos tradicionais da América Latina e será base de medicamento distribuído pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em breve. O fitoterápico foi desenvolvido a partir da planta, que é amplamente utilizada pela medicina tradicional para tratar doenças do sistema urinário.
Produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o medicamento será o primeiro fitoterápico fabricado por laboratórios públicos brasileiros a ser distribuído na rede pública. A instituição informa que o fármaco está em fase de estudos de estabilidade, aguardando aprovação definitiva da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Até lá, ainda é necessário cumprir algumas etapas para que o medicamento esteja disponível para a população.
Atualmente, o SUS oferta à população 12 medicamentos fitoterápicos à base de plantas, de acordo com a Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais). Entre as ervas utilizadas estão aroeira, babosa, cáscara-sagrada, hortelã e salgueiro. Para que um medicamento deste tipo seja disponibilizado e financiado com recursos da União, ele passa por um processo de incorporação conduzido pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde).
Princípio ativo da quebra-pedra pode auxiliar em diferentes tipos de queixas urinárias
A espécie vegetal já escolhida já vinha sendo estudada pela Anvisa com base em dados de tradicionalidade de uso, por sua segurança e efetividade no aumento do fluxo urinário. Com participação de diferentes frentes do Ministério da Saúde (MS), o estudo da quebra-pedra indicou que seu princípio ativo pode atuar em diferentes etapas da litíase urinária, conhecida popularmente como pedra nos rins. O uso do chá pode inibir a formação de cálculos e facilitar sua eliminação.
Para Maria Behrens, pesquisadora de Farmanguinhos/Fiocruz responsável pelo projeto, a aspiração de estudar a planta mais a fundo é antiga: “Por reunir tantas propriedades, conforme já mencionado, este fitoterápico é tão importante para nós. Essas características em um único produto o tornam inovador, pois não há no mercado um produto que atue nas diferentes etapas da litíase urinária”, explica ela.
Ela também ressalta a importância da incorporação de conhecimentos tradicionais na produção de fármacos em um país como o Brasil. Segundo a pesquisadora, a fusão entre a medicina tradicional e moderna garante uma valorização cultural e promove a sustentabilidade econômica na produção de medicamentos.
“Considerando que ainda há uma dependência do Brasil de insumos importados, os recursos da nossa sociobiodiversidade com respaldo científico fortalecem a bioeconomia e impulsionam o desenvolvimento sustentável no país”, afirma Behrens.











