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Análise: PL critica Lei Rouanet para defender Flávio Bolsonaro


O PL (Partido Liberal) adotou uma estratégia de defesa baseada na crítica à Lei Rouanet para minimizar a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O argumento central do partido é que o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse, teria sido feito exclusivamente com recursos privados, sem qualquer vínculo com a referida lei de incentivo à cultura.

Segundo apuração de Pedro Venceslau, no CNN 360°, Flávio Bolsonaro reforçou essa linha argumentativa desde o primeiro vídeo que gravou sobre o assunto, repetindo a expressão “dinheiro privado” inclusive em entrevista coletiva. A estratégia, no entanto, é avaliada como de alcance limitado.

Lei Rouanet como “palavrão” no discurso bolsonarista

A Lei Rouanet, que na prática é um mecanismo de incentivo fiscal pelo qual empresas investem na cultura brasileira, tornou-se alvo de críticas sistemáticas durante a campanha presidencial de 2018. Pedro Venceslau destacou que, naquele período, o bolsonarismo transformou a lei em um símbolo negativo, colocando-a no mesmo pacote de expressões como “ideologia de gênero”.

“Lei Rouanet é um palavrão no ecossistema bolsonarista”, afirmou o analista, acrescentando que se trata, na realidade, de “nada mais do que uma lei de incentivo à cultura, que nem hoje é muito aplicada”.

Pedro Venceslau ressaltou ainda que existem outras ferramentas de fomento cultural além da Lei Rouanet, incluindo leis de incentivo ao cinema em governos estaduais, como o de São Paulo, sendo esse “um mecanismo tradicional da cultura brasileira”.

A retomada desse discurso pelo PL, portanto, dialoga principalmente com a base fidelizada do bolsonarismo, sem alcançar o público mais amplo que, embora antipetista, não é necessariamente bolsonarista.

Debate gira em torno do preço do filme

Do lado oposto, o PT e aliados concentraram suas críticas no valor do patrocínio solicitado por Flávio Bolsonaro. Pedro Venceslau relatou que Fernando Haddad chamou a atenção do público para o preço do filme em um evento na Casa de Portugal, na capital. Outros nomes do PT, como Gleise Hoffmann, seguiram a mesma linha, comparando o valor com o orçamento de outras produções brasileiras, como Ainda Estou Aqui.

O analista observou que o montante anunciado como patrocínio pedido por Flávio Bolsonaro “é muito alto para os moldes do cinema brasileiro, até para o cinema internacional”. Diante disso, o debate acabou se concentrando tanto na origem do financiamento quanto nas questões cinematográficas e do audiovisual, transformando a polêmica em uma disputa de narrativas entre os dois campos políticos.



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