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Crimes de Maio: estudo mostra linha do tempo de mortes em ataques de 2006


Duas décadas após o estado de São Paulo enfrentar a maior e mais letal crise de segurança pública de sua história, os números totais dos chamados “Crimes de Maio” de 2006 permanecem em investigação.

Deflagrada a partir da transferência em massa de lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) para unidades de segurança máxima, os ataques orquestrados pela facção e a resposta por parte de agentes do Estado deixaram centenas de mortos em um intervalo de apenas nove dias, entre 12 e 21 de maio.

Há 20 anos, PCC parava São Paulo com ataques de maio de 2006; relembre

Um estudo elaborado pelo Caaf (Centro de Antropologia e Arqueologia Forense) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) incorpora uma análise quantitativa do LAV-Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) para a análise da quantidade total de vítimas.

Ao todo, o estudo mostra que foram 564 vítimas fatais, entre civis e agentes de segurança. Além disso, outras 110 pessoas ficaram feridas no total. Veja:

O estudo traça uma linha do tempo que mostra que a morte da maioria dos agentes ocorreu nos dois primeiros dias de ataques, enquanto as de civis foram nos dias subsequentes. A pesquisa não conseguiu determinar a data exata de 80 civis mortos e de quatros agentes.

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A análise ainda mostra o perfil dos civis vítimas fatais durante o “Salve Geral”. Do total, 96% eram homens e a média de idade era de 27 anos.

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O estudo também identificou uma média de quase cinco tiros por cada vítima. Os números mostram que 77% das vítimas receberam disparos em regiões de altíssima letalidade, como cabeça e tórax.

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Relembre os Ataques de Maio

A crise teve início oficial em 11 de maio de 2006, quando a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) decidiu transferir 765 presos, incluindo a alta cúpula do PCC, liderada por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola), para a penitenciária de Presidente Venceslau, no interior do estado.

Veja detalhes: Há 20 anos, PCC parava São Paulo com ataques de maio de 2006; relembre

Em entrevista à CNN Brasil, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, classificou o episódio como “uma das piores operações da história do estado”.

Segundo o promotor, a remoção ocorreu de forma absolutamente descoordenada e sem planejamento de risco.

Os ataques pegaram todos nós de surpresa, seja o Ministério Público, as Polícias. Nenhum de nós estava preparado para esse ataque

Lincoln Gakiya, promotor de Justiça

Ele destacou que as forças de segurança paulistas sofreram um “apagão” de inteligência, admitindo que as autoridades sequer sabiam o número real de integrantes da facção na época.

Em retaliação, a partir do dia 12 de maio, a facção orquestrou rebeliões simultâneas em 74 penitenciárias e direcionou ataques nas ruas contra agentes públicos, delegacias, viaturas e bases policiais, paralisando a maior cidade da América do Sul sob o pânico e o incêndio de ônibus coletivos.

A ofensiva direta da facção criminosa cessou a partir do dia 14 de maio, um domingo de Dia das Mães. Segundo Gakiya, houve uma espécie de negociação entre o Estado e a organização criminosa.

Ele relata que o Governo do Estado mandou um avião com uma advogada do PCC para Presidente Bernardes para que ela certificasse que Marcola estava de fato vivo e, após isso, uma ordem para que os ataques cessassem foi emitida.

Com o recuo do PCC, teve início uma onda de resposta liderada por policiais fardados e grupos de extermínio, que passaram a realizar ações nas periferias paulistas.

O diretor da ONG Conectas Direitos Humanos, Gabriel Sampaio, afirma que houve uma “reação desproporcional” do Estado, caracterizada por execuções sumárias, casos de tortura e diversas violações às regras do Estado Democrático de Direito.

Os inquéritos sofreram arquivamentos precoces, prematuros e descumprindo os protocolos básicos de apuração

Gabriel Sampaio, diretor da ONG Conectas Direitos Humanos

Para as famílias das vítimas civis, a versão oficial de “confronto armado” é refutada. Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Independente Mães de Maio, que reúne familiares dessas vítimas, perdeu o filho, o gari Edson Rogério, executado sem possuir antecedentes criminais.

À CNN Brasil, ela relatou que a matança civil foi motivada por vingança. “Nossos filhos não foram mortos pelo PCC. A guerra do PCC não era com a população, mas sim com o braço armado do estado de São Paulo”, argumenta.

Débora ainda ressalta o que chama de negacionismo judicial enfrentado pelas famílias.

A história não foi contada pelo Estado. A história só é revelada pelas mães, pelas narrativas das mães

Débora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio

(Com informações de Agência Brasil)



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