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Análise: Putin não fala sério sobre fim da guerra na Ucrânia


Vladimir Putin afirmou, neste sábado (9), acreditar que o conflito na Ucrânia está se aproximando do fim. No entanto, o analista de Internacional Lourival Sant’Anna, em comentário no CNN Prime Time, avalia que a declaração não deve ser interpretada como um sinal genuíno de disposição para encerrar a guerra.

Durante as celebrações da vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, Putin fez um discurso afirmando que a Rússia está destinada a vencer todos os conflitos, assim como derrotou a Alemanha nazista. “E depois, quando foi falar com os repórteres, adotou essa outra linguagem, muito diferente, dizendo que acredita em um fim próximo“, afirmou Sant’Anna.

O analista destacou a contradição entre as duas falas e chamou atenção para o fato de que o conflito já se arrasta por mais de quatro anos, tempo superior ao período em que a União Soviética lutou contra a Alemanha nazista, entre 1941 e 1945.

O ponto que, segundo Sant’Anna, deixou evidente a falta de seriedade de Putin foi a indicação do ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder como o melhor intermediário para as negociações com a Ucrânia. “E aí a gente entendeu que o Putin não estava falando sério”, completa.

Sant’Anna explicou que Schroeder, ao final de seu mandato à frente do governo alemão, assinou o acordo para a construção do gasoduto Nord Stream 1. Logo após deixar o cargo, foi contratado como assessor da Gazprom e da Rosneft, duas grandes estatais russas de energia, para gerir a construção do gasoduto, sendo posteriormente acusado de corrupção e conflito de interesses.

“Quando o Putin faz essa referência, é para demonstrar as falhas na democracia ocidental, os problemas, a corrupção que existe na democracia, em contraste com o regime que ele comanda na Rússia”, afirmou Sant’Anna. Segundo o analista, a intenção de Putin não era apresentar um prognóstico real sobre a situação entre os dois países em guerra.

Sant’Anna também comentou sobre Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia, apontando que ele não teria condições de trazer informações confiáveis sobre a Ucrânia por ser um aliado de primeira ordem de Putin. O analista ressaltou que, especialmente após a saída de Viktor Orbán do governo da Hungria, Fico se tornou o maior representante de Putin na União Europeia.



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