Em um desabafo contundente nesta semana, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) não poupou críticas às plataformas de apostas online. Classificando o fenômeno como uma “desgraça” social, o chefe do Executivo ligou o sinal de alerta sobre como as famosas “bets” estão drenando o orçamento doméstico e empurrando o cidadão mato-grossense para um abismo de dívidas sem precedentes.
O cenário é alarmante: Mato Grosso já ocupa a oitava posição nacional em proporcionalidade de inadimplentes. Hoje, 53,36% da população do estado está com o “nome sujo”, um reflexo direto de 15 meses consecutivos de alta na inadimplência em todo o país, que já soma mais de 82 milhões de brasileiros negativados segundo o Serasa.
O ralo financeiro: Bilhões que fogem da economia real
A preocupação de Pivetta encontra eco em números assustadores. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as apostas online não são apenas “diversão”, mas um risco sistêmico que está mudando o fluxo do dinheiro no Brasil.
Estima-se que cerca de R$ 143 bilhões deixaram de ser gastos em roupas, alimentos e eletrônicos entre 2024 e 2025 para serem injetados em apostas. Por mês, o ralo financeiro consome R$ 30 bilhões. Esse capital, que deveria movimentar o comércio de Lucas do Rio Verde, Cuiabá e Sinop, acaba desaparecendo em algoritmos de jogatina.
A armadilha do juro alto e o pequeno empreendedor
Para o governador, o problema vai muito além do indivíduo que perde o dinheiro. A inadimplência em massa gera um efeito dominó que castiga quem produz. Quando mais da metade da população não paga suas contas, o risco bancário sobe e, consequentemente, a taxa de juros dispara para todos.
O impacto é direto no setor produtivo:
- Juros Abusivos: Empreendedores mato-grossenses chegam a pagar 30% de juros ao ano para investir em seus negócios;
- Freio no Consumo: O dinheiro que pagaria o financiamento de um carro ou um imóvel está sendo “apostado”;
- Saúde Financeira: Mais de 270 mil famílias brasileiras já entraram em “inadimplência severa” por causa das plataformas;
- Insegurança no Crédito: Linhas de crédito para o pequeno produtor e comerciante tornam-se escassas e caras.
Um desafio para o futuro de Mato Grosso
“Precisamos rever essa questão do endividamento no Brasil. Pesquisas mostram a desgraça que é essa jogatina”, afirmou Pivetta, defendendo uma correção urgente nas políticas de crédito e na regulação desse setor. Em Mato Grosso, a força do agronegócio mascara uma realidade urbana de famílias sufocadas por boletos e promessas de ganho fácil.
O alerta do governo coloca em xeque a sustentabilidade do crescimento regional no fechamento de 2026. A perda de renda disponível não afeta apenas o bem-estar familiar, mas compromete a arrecadação e o giro comercial em todo o estado.
Entre a sorte e a estabilidade
O debate levantado por Pivetta acende a luz amarela para o consumidor: até que ponto a busca pelo lucro rápido nas bets vale o risco de perder o acesso ao crédito e a paz financeira? Enquanto as plataformas batem recordes de faturamento, Mato Grosso tenta entender como limpar o nome de mais de metade de sua gente.
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