Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantiveram nesta sexta-feira (8) a ocupação da reitoria da instituição. O grupo cobra a reabertura do diálogo com a administração central, alegando que as negociações foram encerradas de forma unilateral pela gestão do reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado.
A mobilização teve início na quinta-feira (7) e reúne pautas relacionadas às condições de permanência estudantil. Entre as principais reivindicações estão a revisão do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), além de melhorias nas moradias universitárias e nos restaurantes estudantis.
Em manifestação divulgada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), os estudantes afirmam que a ocupação foi motivada pela precarização das condições de permanência na universidade. O texto aponta problemas estruturais no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), como falta de água e presença de mofo nos apartamentos.
O grupo também relata dificuldades relacionadas à alimentação nos restaurantes universitários, mencionando episódios de falhas no fornecimento de refeições e condições consideradas inadequadas.
Segundo o estudante de Jornalismo e integrante do DCE, Guilherme Farpa, a proposta apresentada pela reitoria previa reajuste de R$ 27 no auxílio integral do PAPFE e de R$ 5 no valor parcial, valores considerados insuficientes pelos estudantes. Atualmente, os auxílios são de R$ 885 e R$ 320, respectivamente.
Os manifestantes argumentam ainda que a universidade dispõe de um orçamento bilionário para os próximos anos e destacam a aprovação recente de gratificações a docentes como exemplo de prioridades orçamentárias da instituição.
Outro integrante do movimento, Felipe, estudante de Ciências Moleculares, afirma que a ocupação será mantida até que a reitoria aceite retomar as negociações. Segundo ele, a intenção é dar visibilidade às condições enfrentadas diariamente pelos estudantes nos campi.
Posição da reitoria
Em nota, a reitoria da USP afirmou lamentar a ocupação do prédio administrativo e classificou o ato como uma invasão com danos ao patrimônio público.
A gestão informou ainda que acionou medidas de segurança para evitar a expansão da ocupação e reduzir possíveis prejuízos estruturais.
Antes do início da ocupação, a reitoria destacou que vinha mantendo diálogo com representantes estudantis desde abril, com a realização de reuniões que, segundo a instituição, resultaram em avanços para diferentes segmentos da comunidade acadêmica.
A administração reforçou que o bem-estar da comunidade universitária é prioridade e afirmou que permanece aberta ao diálogo dentro dos canais institucionais.
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