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ABBC: Juro consome renda e é mais alto do que sistema financeiro gostaria


Leandro Vilain, CEO da ABBC (Associação Brasilera de Bancos), defende que o sistema financeiro não se beneficia com juros elevados.

“Juros elevados consomem renda, consomem a capacidade de repagamento, aumentam inadimplência, diminuem a atividade econômica”, avaliou em entrevista exclusiva ao CNN Money.

Segundo Vilain, o que o sistema financeiro realmente espera é “um crescimento econômico sustentável, emprego, renda e aumento de produtividade”.

A qualidade do crédito tomado pelos consumidores também é um fator importante. Vilain explica que o financiamento imobiliário ou a compra de um veículo para trabalho são investimentos em capacidade produtiva, o que é positivo.

Porém, quando o crédito é usado para gastos não produtivos ou através de mecanismos emergenciais, isso pode agravar o problema.

Cenário de endividamento

O Brasil enfrenta um problema crônico de endividamento, que atingiu níveis recordes segundo pesquisas recentes.

O comprometimento de renda das famílias brasileiras está na faixa dos 29% a 30%, considerado bastante elevado, e a inadimplência para as instituições financeiras vem crescendo proporcionalmente.

De acordo com Vilain, o endividamento é um fenômeno complexo que vai além da simples oferta de crédito.

“Esse é um conjunto de fatores. Não existe uma bala de prata”, afirma.

O CEO da ABBC explica que o país está experimentando os resultados de um ciclo longo de taxas de juros elevadas, o que era esperado, mas ressalta que essas taxas estão muito acima do que o sistema financeiro gostaria.

Educação financeira e economia

Vilain aponta que a solução passa pela educação financeira e por uma expectativa positiva de atividade econômica no país.

“De novo, isso consome renda, você precisa manter uma capacidade de empregos produtivos, empregos de renda e de aumento de produtividade”, destaca.



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