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Endividamento: Cartão de crédito consome 54% do orçamento familiar


O cartão de crédito nunca pesou tanto no bolso dos brasileiros. Segundo dados do Banco Central, esse meio de pagamento já consome 54% do orçamento familiar, um aumento significativo em relação aos 38,5% registrados em 2020, na saída da pandemia.

O analista de Economia Fernando Nakagawa explicou, no Bastidores CNN, que dois fatores principais contribuem para este cenário preocupante: o aumento das compras e os juros elevados. “O cartão de crédito nunca foi tão usado pelas famílias brasileiras”, afirma Nakagawa, destacando que quando o consumidor não paga a fatura inteira, a dívida é empurrada para o mês seguinte com juros do rotativo, que ultrapassam 400% ao ano – a maior taxa de todo o sistema financeiro.

Facilidade de acesso ao crédito

Um dos motivos para o crescimento desse tipo de endividamento é a facilidade de obtenção de crédito no período pós-pandemia. “Hoje em dia, se você tem um telefone celular, abre uma conta em uma instituição digital, uma fintech, essa conta já vem meio que automaticamente com o cartão de crédito pré-aprovado”, explica o analista. Essa disponibilidade tem levado muitas pessoas a abrirem contas, pegarem novos cartões e acumularem dívidas.

A evolução dos gastos com cartão de crédito mostra um crescimento constante desde 2020. O que antes representava pouco mais de um terço da renda familiar (38,5%), agora corresponde a mais da metade (54%). Analisando a composição desses gastos, também houve mudanças significativas.

Em 2020, 23,5% da renda era destinada a pagamentos à vista no cartão, 11,9% para compras parceladas sem juros e apenas 3,1% para o pagamento de juros.

Em 2024, o cenário mudou drasticamente: os pagamentos à vista subiram para 31%, as compras parceladas sem juros aumentaram para 16,7% e, o mais alarmante, os juros mais que dobraram, consumindo agora 6,3% da renda familiar. Isso significa que os brasileiros estão gastando uma parcela cada vez maior de seus rendimentos apenas para pagar os juros do cartão de crédito, sem considerar outras dívidas.

Segundo o Nakagawa, o governo federal tem demonstrado preocupação com essa situação, pois o alto nível de endividamento pode estar impedindo que as famílias percebam melhorias na economia, como o aumento do emprego, renda mais alta e inflação mais controlada. O tema ganhou ainda mais relevância por estar relacionado a outros problemas, como o crescimento das apostas online, que também contribuem para o endividamento da população.



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