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Eleições no Peru: País tem número recorde de 35 candidatos à presidência


Neste domingo (12), os peruanos vão usar a maior cédula eleitoral de sua história: ela contém foto e símbolo partidário de cada um dos 35 candidatos à presidência do país.

A cédula mede cerca de 42 centímetros de largura, mais de 40 centímetros de comprimento e possui cinco colunas.

Cada coluna representa uma eleição diferente: a primeira, para presidente e vice-presidente; a segunda e a terceira, para senadores; a quarta, para deputados; e a quinta, para o Parlamento Andino.

No total, 198 autoridades serão eleitas por mais de 27 milhões de peruanos aptos a votar.

O processo eleitoral, talvez o mais complexo e confuso que os peruanos já presenciaram, ocorre em meio à deterioração da democracia no país e uma década de crise política que não dá sinais de arrefecimento. Em fevereiro, o oitavo presidente em menos de dez anos assumiu o cargo.

Por que há tantos candidatos concorrendo à presidência?

Segundo Fernando Tuesta, professor de ciência política da Pontifícia Universidade Católica do Peru, os peruanos têm uma “tremenda insatisfação” com a política.

“Isso é generalizado em toda a América Latina, mas no Peru atinge níveis muito altos. A taxa de aprovação da ex-presidente Dina Boluarte chegou a apenas 3%, que, dentro da margem de erro, poderia ter sido ainda menor, e o Congresso teve apenas 5% de aprovação. São números históricos”, destacou.

Tuesta, que também é ex-chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais e comandou a Missão de Observação da Organização dos Estados Americanos no México em 2022, afirma que, diante da rejeição popular nos últimos anos, surgiram mais partidos.

“Com a proximidade das eleições de 2026, inúmeros partidos estão sendo formados, mas no Peru são organizações extremamente frágeis e altamente personalistas que se tornaram, em muitos casos, veículos eleitorais nos quais candidatos são recrutados e, uma vez concluído o processo, se dissolvem”, explicou.

“Uma ideia que se consolidou entre os peruanos é a de que não importa se você tem um partido organizado ou não; você ainda pode se tornar presidente”, diz Tuesta.

Durante a década de 1980, o colapso da economia, a hiperinflação e a desconfiança generalizada nos partidos políticos facilitaram o surgimento de novas opções políticas no Peru.

Isso abriu caminho para o ex-presidente Alberto Fujimori, o primeiro presidente de fora do sistema político peruano, em 1990. Nos últimos anos, a proliferação de grupos políticos continuou sem cessar.

A insatisfação com a política não é o único sintoma preocupante, segundo Tuesta. “Há descontentamento, representação precária, polarização e concentração de poder no parlamento, além de um vácuo de poder no executivo — ou seja, na presidência”, apontou.



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