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Decisão da Corte de derrubar tarifas é maior derrota de Trump, diz Eurasia


A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas impostas por Donald Trump, o que representa sua maior derrota política neste segundo mandato, segundo avaliação de Silvio Cascione, diretor da Eurasia Group no Brasil. Em entrevista ao CNN Prime Time, Cascione destacou que a decisão marca o início de uma resistência institucional às tentativas de Trump de expandir a autoridade do poder executivo.

“Sem dúvida, a maior derrota política do presidente Trump nesse segundo mandato. E significa que os tribunais e também, aos poucos, o Congresso norte-americano começam a resistir as investidas mais fortes do presidente às outras instituições”, afirmou Cascione. Segundo o analista, Trump tem tentado ampliar sua própria autoridade e, após um período inicial com pouca oposição, agora os limites institucionais começam a ficar mais claros.

Apesar da derrota significativa, Cascione alertou que a decisão da Suprema Corte foi específica sobre a lei IEEPA (International Emergency Economic Powers Act) e não estabeleceu uma nova doutrina sobre o que caracteriza uma emergência nacional. Isso deixa considerável margem de manobra para o presidente americano. “O próprio Trump deixou claro nessa tarde que ele não vai aceitar essa decisão sem reagir. Pelo contrário, ele já começou, ele impôs uma nova tarifa e deixou claro que vai impor muitas outras dentro de leis que foram indiretamente confirmadas pela Suprema Corte”, explicou.

Impactos para o Brasil

Para o Brasil, a decisão abre uma janela de oportunidade até meados do ano para negociar com os Estados Unidos e evitar que as tarifas retornem aos patamares anteriores. Cascione destacou que o governo americano deve reconstruir gradualmente sua “muralha tarifária” utilizando outros instrumentos legais, o que representa um risco para o comércio brasileiro.

Sobre o apoio político a Trump no Congresso americano, Cascione observou que o presidente ainda mantém forte influência sobre os republicanos, especialmente entre aqueles que disputarão as eleições de meio de mandato no final do ano. Com uma popularidade média de 41%, embora em queda, Trump continua sendo “a grande força dominante do Partido Republicano e por extensão da política norte-americana”.

Os focos de resistência no Congresso têm surgido principalmente de políticos que não pretendem concorrer a eleições ou que representam distritos onde o apoio a Trump é considerado negativo. Recentemente, alguns desses congressistas ajudaram a oposição a rejeitar a avaliação do governo sobre tarifas contra o Canadá, sinalizando possíveis obstáculos para algumas das medidas protecionistas de Trump.



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