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Giulia Costa diz ter dermatilomania: o que é o transtorno que leva a machucar a própria pele




Giulia Costa, filha de Flávia Alessandra
Reprodução/Instagram
A apresentadora Giulia Costa, de 25 anos, filha da atriz Flávia Alessandra, revelou ter sido diagnosticada com dermatilomania — transtorno psiquiátrico marcado pelo impulso recorrente de cutucar, espremer ou machucar a própria pele, provocando feridas e cicatrizes.
Em entrevista à revista Quem, Giulia relatou que a descoberta aconteceu após uma viagem internacional com a família. Ao falar sobre o processo terapêutico, associou o quadro ao estresse e à pressão psicológica.
Ela disse que controlar o impulso enquanto permanece em ambientes que geram tensão é a parte mais difícil do tratamento. Segundo ela, a própria psicóloga já apontou que o desafio é “remar contra a maré” em contextos estressantes.
Giulia descreveu a recuperação como gradual. “São passinhos mesmo. Tudo é válido, cada conquista é válida”, afirmou, ao reconhecer que o processo pode ser mais lento, mas não impossível.
Médico especialista tira as dúvidas dos telespectadores sobre dermatilomania
Transtorno reconhecido pela psiquiatria
A dermatilomania é oficialmente denominada Transtorno de Escoriação.
De acordo com o psiquiatra Roberto Ratzke, médico psiquiatra, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador da Pós-Graduação do Hospital Heidelberg, o diagnóstico está descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR) dentro do espectro do transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos relacionados.
A Classificação Internacional de Doenças (CID-11) também o inclui entre os transtornos de comportamentos repetitivos focados no corpo, ao lado da tricotilomania –impulso de arrancar cabelos ou pelos.
Segundo Ratzke, o diagnóstico é clínico e feito por meio de entrevista baseada em critérios do DSM-5.
Para ser considerado transtorno, o comportamento precisa causar prejuízo significativo, durar meses e resultar em lesões aparentes. É comum que pacientes tentem esconder as marcas com roupas compridas ou outros artifícios.
Ele explica que o ato pode ocorrer de forma automática, principalmente em momentos de tensão ou preocupação, embora em alguns casos haja consciência do comportamento.
O impulso funciona como uma tentativa de aliviar sofrimento psíquico, mas acaba reforçando um ciclo repetitivo semelhante ao observado no transtorno obsessivo-compulsivo.
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A pele é o alvo, mas a origem é emocional
Do ponto de vista dermatológico, a condição tem características próprias.
Dermatologista com pós-graduação pelo Hospital Israelita Albert Einstein, Sarah Thé Coelho afirma que a dermatilomania não é uma doença primariamente dermatológica, mas um transtorno psiquiátrico que se manifesta na pele.
Clinicamente, são observadas feridas em diferentes estágios de cicatrização, crostas repetitivas e lesões concentradas em áreas acessíveis, como face, braços e colo. Muitas vezes, as lesões são desproporcionais ao problema inicial —poucas espinhas, muitas escoriações.
A médica explica que espremer uma espinha ocasionalmente não caracteriza o transtorno. Na dermatilomania, há impulso recorrente e difícil de controlar, sofrimento emocional associado, tentativas frustradas de parar e impacto na vida social e autoestima.
O estresse é um dos principais gatilhos. Momentos de ansiedade ou frustração aumentam o impulso de manipular a pele como forma de alívio momentâneo. O problema, segundo a dermatologista, é que o alívio é temporário e acaba reforçando o comportamento.
Associação com ansiedade e depressão
A dermatilomania raramente aparece isolada.
Ratzke afirma que há proximidade psicopatológica com o transtorno obsessivo-compulsivo e que os comportamentos repetitivos costumam surgir para aliviar sofrimento psíquico.
A dermatologista acrescenta que o quadro frequentemente está associado a transtornos de ansiedade, depressão e até transtorno dismórfico corporal.
Essa sobreposição reforça a necessidade de avaliação conjunta com psiquiatra ou psicólogo quando há suspeita diagnóstica.
Tratamento é multidisciplinar
O tratamento mais eficaz é a psicoterapia, segundo Ratzke. Como o transtorno foi reconhecido oficialmente apenas em 2013 no DSM-5, ainda há poucos estudos robustos sobre medicação específica.
Quando há comorbidade com depressão, ansiedade generalizada ou transtorno obsessivo-compulsivo, podem ser indicados antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, como fluoxetina, sertralina e escitalopram.
Do lado dermatológico, o foco é tratar inflamações, prevenir infecções e reduzir risco de cicatrizes permanentes.
A condição tende a ser crônica, com períodos de melhora e recaída. Ainda assim, os especialistas ressaltam que o reconhecimento precoce e o acompanhamento adequado podem reduzir significativamente os episódios e preservar a qualidade de vida.



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