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Índia aposta em nacionalizar navios de guerra; conheça porta-aviões do país


Numa corrida para se projetar como potência bélica frente a outras nações, a Índia aposta em nacionalizar os projetos e a construção de navios de guerra da Marinha do país.

A ambição do governo do premiê Narendra Modi é se tornar autossuficiente no setor até 2047 – quando a Índia completará 100 anos de independência dos britânicos – e tem como exemplo mais visível o porta-aviões INS Vikrant (vitorioso ou corajoso, em tradução livre do sânscrito), considerado a joia da coroa da Marinha do país.

O navio é considerado um marco na capacidade indiana de desenvolver as próprias embarcações.

Comissionado em 2022, o INS Vikrant foi construído na cidade de Cochin, no sudoeste da Índia, voltada ao Mar da Arábia. O projeto envolveu mais de 660 empresas do país. Ao todo, cerca de 76% das peças que compõem o porta-aviões são indianas.

A avaliação do governo indiano é que nacionalizar ao máximo a concepção e a produção dos navios lhe dá mais envergadura para se tornar o parceiro preferencial de outros países na região do Oceano Índico. E, com isso, ganhar influência militar e econômica. É a chamada diplomacia naval, cada vez com contornos geopolíticos mais complexos.

A visão da Marinha tem como pilares a inovação sustentável a longo prazo, a formação de uma cadeia produtiva indiana e a integração de novas tecnologias a operações navais. A estratégia também ajuda a garantir maior autonomia operacional, controle das etapas de produção e prontidão de combate.

O INS Vikrant foi a principal estrela do país no desfile naval International Fleet Review desta semana, em Visakhapatnam, sede do Comando Naval do Leste, na Baía de Bengala.

A CNN Brasil esteve a bordo do porta-aviões, nesta quinta-feira (19), ancorado na costa da maior cidade do estado indiano de Andhra Pradesh.

O porta-aviões opera por meio do sistema STOBAR (Short Take-off But Arrested Recovery). Os aviões decolam com a ajuda de uma rampa curva e inclinada para cima na proa, sem necessidade de catapultas. Para frear e pousar, contam com a ajuda de cabos no convés.

Na prática, os jatos conseguem parar em até 2,5 segundos, numa distância de até 90 metros.

Veja alguns dados do navio

  • capacidade de abrigar cerca de 30 aeronaves, entre jatos e helicópteros;
  •  262,5 metros de comprimento;
  • 61,6 metros de largura;
  • 144 a 203,7 metros de pista;
  • 60 km/h de velocidade máxima;
  • 2.278 compartimentos;
  • 648 escadas;
  • 2,5 km de cabos;
  • estrutura completa para cerca de 1,6 mil tripulantes, como cozinhas e lavanderias industriais, salas de cirurgia, consultórios de odontologia.

A cerimônia do International Fleet Review contou com dezenas de embarcações de diferentes tamanhos, objetivos e poder bélico – não apenas indianas, mas também de outras Marinhas convidadas.

Rússia, Irã, Japão, França, Austrália, África do Sul, Coreia do Sul, Filipinas, Malásia, Indonésia, Omã, Mianmar, Vietnã, Emirados Árabes Unidos e Bangladesh estavam entre as esquadras presentes.

O Brasil não enviou embarcações, mas contou com a presença do Comandante de Operações Navais da Marinha, Almirante Eduardo Vazquez, no evento.

Atualmente, a Marinha brasileira não conta com algum porta-avião devido aos altos custos de manutenção e modernização.

*A repórter viajou a convite do governo da Índia.



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