A suspensão da taxa sobre exportação de petróleo no Brasil reflete uma estratégia com viés eleitoral em vez de uma preocupação genuína com os impactos econômicos do preço do barril, segundo avaliação de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
Em entrevista ao WW, Pires criticou o conjunto de medidas adotadas pelo governo federal para conter os preços dos combustíveis, caracterizando-as como confusas e pouco transparentes. “Acho que é muita confusão, pouca transparência e nitidamente a premissa do governo ao elaborar as MPs é eleitoral”, afirmou.
O especialista destacou que o pacote de medidas já inclui quatro Medidas Provisórias, seis decretos e um projeto de lei: “Tudo isso que o governo está colocando, ele está colocando muito mais com uma premissa eleitoral do que uma premissa para evitar que o aumento do barril incida sobre a economia brasileira”, explicou.
Impactos econômicos e risco de desabastecimento
De acordo com Pires, a abordagem fragmentada tem resultado em baixa adesão do mercado às iniciativas governamentais, impedindo que os preços dos combustíveis caiam na bomba como desejado pelo governo. “Isso faz com que o mercado não esteja aderindo ao pacote do governo e, consequentemente, os preços do combustível lá na ponta, na bomba, não estão caindo como o governo desejava”, observou.
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura também criticou especificamente o imposto de exportação sobre petróleo, classificando-o como um tributo sem sentido e meramente arrecadatório. Segundo ele, o governo poderia financiar as medidas de contenção de preços através de royalties e participações especiais, que já estão aumentando naturalmente.
Pires alertou ainda para o risco persistente de desabastecimento, mencionando que a Petrobras está vendendo diesel abaixo do mercado internacional, o que pode comprometer o fornecimento do combustível no país. “Aquela espada do desabastecimento continua existindo”, concluiu.

