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Análise: Rússia alega vitória no leste da Ucrânia, mas realidade é outra


Esta semana, pela terceira vez desde sua invasão em larga escala da Ucrânia, a Rússia afirmou ter ocupado totalmente a região de Luhansk, na Ucrânia.

O exército russo ocupa quase toda a região de Luhansk – uma das quatro regiões do leste que Moscou tem ilegalmente tentado anexar – desde o primeiro ano do conflito.

Não está claro por que a Rússia sentiu a necessidade de anunciar, novamente, que suas forças haviam “completado a libertação de todo o território da Repöblica Popular de Luhansk”, como chama a região.

Analistas observam que o Ministério da Defesa da Rússia tem o hábito de exagerar os avanços quando as linhas de frente mal estão mudando.

Os ganhos russos na Ucrânia desaceleraram nos primeiros trés meses deste ano para cerca de cinco km por dia, comparado a 11 quilômetros no primeiro trimestre de 2025, relatam observadores de guerra, incluindo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede em Washington. E em algumas partes do campo de batalha, os ucranianos conseguiram avançar.

A Ucrânia zombou da alegação de que toda a região de Luhansk agora estava sob controle russo.

“A linha de frente não se moveu muito nos ùltimos seis meses. Parece mais uma brincadeira do Dia da Mentira da parte deles”, disse um porta-voz militar ucraniano, Victor Tregubov.

O Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia, encarregado de defender Luhansk, disse que os russos haviam lançado, sem sucesso, 144 tentativas de ataque a duas vilas em suas tentativas de completar a captura da região.

No mesmo dia em que a defesa russa fez a alegação, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky já deveria ter ordenado a retirada das forças ucranianas de toda a região do Donbass, chamando a retirada de necessária para encerrar a “fase quente” da guerra.

O Donbass inclui Luhansk e Donetsk, dos quais a Ucrânia ainda controla cerca de 20%.

“As alegações do Kremlin em 2025 e 2026 sobre a tomada de [Luhansk] estão exagerando mudanças minúsculas na linha de frente… para criar a falsa impressão de que as forças russas estão avançando rapidamente em vários setores do campo de batalha”, disse o ISW após a mais recente declaração russa.

O anùncio da Rússia foi “destinado a retratar as defesas ucranianas como à beira do colapso, para pressionar os Estados Unidos e os outros parceiros da Ucrânia a forçar o país a ceder território desnecessariamente, que as forças russas tém poucas chances de tomar militarmente no médio prazo, se é que conseguirão”, concluiu o ISW.

A “liberação” de Luhansk foi anteriormente reivindicada em 2022 e novamente em junho passado, quando o governador de Luhansk nomeado pelo Kremlin, Leonid Pasechnik, disse que “100%” da região agora estava sob o controle das forças russas.

Em outubro, o presidente russo Vladimir Putin disse que a Rússia só tinha 0,13% da região restante para capturar.

Na ùltima semana, drones ucranianos atacaram tanques de combustível russos e depósitos de munições a cerca de 100 quilômetros das linhas de frente em Luhansk, bem como um sistema de defesa aérea russo a mais de 130 quilômetros da fronteira da região, de acordo com vídeos geolocalizados.

A situação mais ampla mostra que as forças ucranianas fizeram seus maiores avanços no inverno desde uma incursão na região de Kursk, na Rússia, em 2024. O maior progresso foi no sul, onde tomaram cerca de 400 km² in Zaporizhzhia – outra região reivindicada pela Rússia.

As forças ucranianas também recapturaram pelo menos 180 km² em e ao redor de Kupyansk, no norte, em dezembro, e mantiveram em grande parte os ganhos, segundo o ISW.

O comandante-em-chefe da Ucrânia, general Oleksandr Syrskyi, disse na semana passada que as forças ucranianas estão priorizando contra-ataques nas áreas onde as forças russas estão mais fracas.

“O inimigo atualmente está jogando pelas nossas regras. Está forçado a se ajustar e concentrar seus esforços onde estamos avançando”, disse Syrskyi.

O objetivo é forçar o exército russo a realocar tropas para diferentes áreas para responder aos ataques, assim como os russos tentaram puxar as defesas ucranianas em direções diferentes.

No final do més passado, um conhecido blogueiro militar pró-Kremlin, Yuri Podolyaka – que tem quase trés milhões de assinantes no Telegram – expressou dúvidas sobre a capacidade das forças russas de reverter uma situação desfavorável no campo de batalha nos próximos meses e reclamou dos “contra-ataques bastante bem-sucedidos” da Ucrânia.

As forças ucranianas estavam “superando” as forças russas em sua capacidade de adaptação, disse Podolyaka, e a liderança militar em Moscou não havia se adaptado aos melhores drones interceptadores ucranianos.

A Ucrânia também está tentando aproveitar a escala das perdas russas.

“As perdas russas em março deste ano atingiram seu nível mais alto desde o início da guerra”, afirmou Zelensky na sexta-feira (3).

“ Somente nossos ataques com drones resultaram em 33.988 militares russos mortos ou gravemente feridos, enquanto os ataques de artilharia e outros eliminaram mais 1.363 ocupantes russos.”

“Isso significa mais de 35.000 perdas russas em apenas um mês”, disse Zelensky.

’Os avanços russos desaceleraram significativamente, à medida que as forças russas continuam a sofrer perdas de pessoal e a depender cada vez mais de infantaria mal treinada e mal equipada para fazer avanços”, observou o ISW na semana passada.

No entanto, a Ucrânia também está enfrentando graves escassez de pessoal em várias partes da linha de frente, e Zelensky expressou preocupação de que a guerra no Oriente Médio possa levar a uma diminuição na disponibilidade de armamentos dos EUA, especialmente mísseis de defesa aérea – centenas dos quais foram enviados para defender os países do Golfo.



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