O recente abate de um caça F-15E dos Estados Unidos em território iraniano demonstra a capacidade de defesa antiaérea do Irã, possivelmente fortalecida por sistemas reconstruídos e informações de inteligência compartilhadas por potências como Rússia e China.
De acordo com o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vitelio Brustolin, o Irã reconstruiu alguns sistemas de defesa antiaérea, como o Bavar 373, baseado no S-300 russo. Este sistema tem a capacidade de localizar alvos tanto em alta quanto em baixa frequência, o que está sendo testado agora em combate real.
“Isso possibilita que caças como o F-35, que são caças stealth, que são invisíveis ao radar, sejam localizadas pelo Bavar. Mas o F-15E não é um stealth, não é de quinta geração e pode ser rastreado por radares”, explica o professor.
Ele destacou que o F-15E foi alvejado no centro do território iraniano, próximo a Teerã, o que demonstra que os Estados Unidos e Israel estavam sobrevoando com alguma liberdade o espaço aéreo do país: “Nesse momento, o Irã demonstra que ainda possui capacidade de defesa antiaérea”, afirma Brustolin.
O especialista explica que o F-15E é um caça com capacidade para carregar bombas de penetração e bombas anti-bunker, sendo uma versão similar ao F-15I utilizado por Israel. Além do F-15E, os iranianos também alvejaram um A-10 Thunderbolt.
A situação evoluiu para uma espécie de disputa entre Estados Unidos e Irã pela recuperação dos pilotos. Os americanos estão oferecendo 60 mil dólares pelo retorno dos dois tripulantes, enquanto o Irã elevou a oferta para 80 mil dólares: “Se tornou uma espécie de leilão, que faz parte da narrativa da guerra”, conclui o professor.

