Veja as principais notícias no MODO STORIES
Em visita a Instabul, Zelensky diz que está pronto para encontrar Putin
Mulher é encontrada morta dentro de piscina em espaço de festas em MT
BBB 26: após brigas, Juliano e Samira se reconciliam e se abraçam
Seduc inicia as aulas e entrega de materiais do curso preparatório Pré-Enem Digit@l 2026
Termina neste sábado prazo para que partidos registrem seus estatutos
Entenda por que reabertura de Ormuz é tão importante para Donald Trump
Polícia desmonta esquema de venda de drogas em bar de Nova Mutum; veja vídeo
BOA SORTE: LUCIANO JUBA MUDANDO DE TIME NO BRASILEIRÃO
NOVA MUTUM CLIMA
Publicidade Nova Mutum

SXSW e a pergunta que não quer calar: o que a tecnologia está fazendo com a gente?


Eu não fui ao SXSW deste ano, mas sei que já faz um bom tempo que o evento não está mais lá essas coisas quando o assunto é inovação. O antropólogo Michel Alcoforado, autor do excelente Coisa de Rico, que foi convidado a participar, comentou no Instagram: “A expectativa sobre a apresentação de uma ideia grande, acachapante e revolucionária é coisa do passado. Ela mora no coração dos nostálgicos e nos livros de história”.

Pois é. O mesmo evento que já lançou Uber, Twitter e Airbnb hoje virou um espaço de gente tentando entender o que já aconteceu. Pelo que deu pra acompanhar mesmo de longe, uma pergunta começou a aparecer com mais força do que qualquer novidade tecnológica: o que a tecnologia está fazendo com a gente?

smart_display

Nossos vídeos em destaque

Eu olhei pra essa pergunta a partir do trabalho, pois esse é, curiosamente, o meu trabalho. E, claro, também porque acredito que no trabalho a tecnologia se instala com muita força: reorganizando rotinas, redefinindo expectativas e passanod a mediar boa parte da nossa experiência cotidiana.

Durante anos, a incorporação da tecnologia no trabalho foi guiada por uma lógica clara: mais produtividade, mais escala, mais eficiência. As perguntas em cima dessa intersecção eram operacionais: como fazer mais com menos? (que atire uma pedra quem nunca ouviu ou disse essa frase). Mas agora começa a aparecer uma outra camada, mais difícil de medir e de lidar: quais as consequências dessa forma de trabalhar?

Porque tem um ponto que ainda incomoda muita gente quando aparece, mas a gente tem que lembrar constantemente: não existe essa separação clara entre vida pessoal e vida profissional. A pessoa não chega no trabalho como uma versão editada de si mesma, à lá Ruptura. Ela chega com tudo junto: cansaço, filho, boleto, desejo, dúvida, falta…

Freud, no livro O Mal-Estar na Civilização, já apontava que não há vida em sociedade sem renúncia pulsional (leia-se: uma espécie de motor energético psíquico). Para que o coletivo exista, algo do sujeito precisa ser contido e organizado. E o trabalho é um dos principais operadores disso. Ele organiza o tempo, dá direção à energia psíquica e oferece, quando tudo vai bem, um lugar de reconhecimento e pertencimento. Mas essa equação nunca foi estável. Há sempre um resto de mal-estar que precisa ser elaborado. (É por isso que é bom fazer análise).

Só que aí a gente resolveu colocar tecnologia no meio dessa equação já complexa da vida psíquica. E tudo ficou mais complicado ainda, porque a tecnologia acelera tudo, aumenta acesso e atravessa fronteiras. Junta tudo no mesmo lugar: cobrança, alegria, satisfação, medo e ainda tira algumas coisas importantes do caminho também, tipo aquelas tarefas que, curiosamente, eram onde muita gente aprendia a trabalhar – algo muito importante para o desenvolvimento de carreira. Lembram que eu falei disso na minha última coluna?

O resultado é que sim, ganhamos eficiência em certa medida, mas agora temos outra experiência de trabalho. E aí aparece um ponto que o SXSW, talvez sem querer, ajudou a escancarar: a tecnologia avançou mais rápido do que a nossa capacidade de reorganizar o trabalho a partir dela.

A gente mudou muita coisa no dia a dia, mas não mexeu direito no resto. O limite continua confuso, pausa virou luxo, reconhecimento virou métrica meio vazia e a sensação geral é de que a gente nunca vai dar conta. Vamos lembrar alguns dados? 

O Brasil já figura entre os países com maior índice de ansiedade no mundo segundo a Organização Mundial da Saúde. Levantamentos da Associação Nacional de Medicina do Trabalho indicam que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com burnout, enquanto pesquisas recentes mostram que a maioria relata sintomas frequentes de exaustão, mesmo sem diagnóstico formal.

Ou seja: tá todo mundo cansado pra caramba e talvez por isso a pergunta que reverberou do SXSW não tenha sido: “qual é a próxima grande coisa?”, mas “onde vai parar a nossa Saúde Mental com tantas grandes coisas?”. Está mais que na hora de nos aprofundarmos nas respostas e, obviamente, pensarmos em soluções.



Source link

Publicidade Publicidade Alerta Mutum News

Related Post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Logo Alerta Mutum News