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Não há tiros ou chicotadas”, diz diretor sobre essência de “Narciso


O cineasta brasileiro Jeferson De (“M8 – Quando a Morte Socorre a Vida”, “Doutor Gama”) aposta em uma nova obra que promete impactar o audiovisual brasileiro. Estrelado por Seu Jorge, Ju Colombo e Arthur Ferreira, “Narciso” estreou nos cinemas na última quinta-feira (19).

Longe de recorrer a imagens recorrentes de violência associadas a personagens pretos no cinema, “Narciso” aposta no silêncio, na introspecção e na construção da identidade como eixo central da narrativa.

“É um filme carregado de esperança, mas fundado sobre a dor e a tristeza”, conta Jeferson De, em entrevista à CNN. “Quando a gente realmente está triste, vai para um lugar de silêncio”, explica.

O personagem central, Narciso, carrega uma trajetória marcada pela rejeição: um menino negro devolvido por pais adotivos brancos. A dor do jovem é internalizada e vira o centro da reflexão. Essa escolha narrativa, segundo o diretor, foi deliberada desde o início do projeto. “Era meu desejo fazer um filme fundado sobre o silêncio, que é algo raro”, diz ele.

A proposta de “Narciso” também dialoga com uma ruptura de estereótipos historicamente associados à população negra no audiovisual. “Quando se pensa em pessoas negras, se imagina carnaval, futebol, música, algo sempre expansivo. Mas nós sabemos que não é assim. Existe também esse lugar de humanidade, de recolhimento”, pontua.

Esse silêncio, no entanto, não deve ser confundido com apagamento. Para Jeferson De, trata-se de um espaço de reflexão e subjetividade. “Não é o silenciamento de alguém te impedindo de falar, mas um estado interno, de viagem para dentro”, explica.

Um dos aspectos mais marcantes do filme é justamente a recusa em representar a violência física. Em cerca de 90 minutos de duração, o diretor enfatiza que não há mortes, tiros ou agressões explícitas contra personagens negros. “As pessoas vão assistir a um filme com maioria de pessoas pretas, retintas, e nenhuma delas vai tomar um tiro, nenhuma vai ser chicoteada, nenhuma vai [spoiler]morrer”, afirma.

“A gente acredita no valor da vida. E isso, por mais simples que pareça, é muito revolucionário no nosso cinema”, conclui.

“Narciso”, inédito no Brasil, já foi exibido para plateias estrangeiras no Vancouver Black Independent Film Festival e Montreal Independent Film Festival, ambos no Canadá; no Pan African Film Festival, em Los Angeles; e no Festival Fiesta Del Cine, em Nice, na França.

Completam o elenco Bukassa Kabengele, Faiska Alves, Diego Francisco, Fernanda Nobre, Juliana Alves e Marcelo Serrado.

Assista ao trailer de “Narciso



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